Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o número ficou próximo das projeções e não deve mudar trajetória da taxa Selic
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa desaceleração em relação à alta de 0,16% registrada em junho. No acumulado de 2026, o IPCA registra avanço de 3,44%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,44%.
Apesar da desaceleração mensal, o resultado veio levemente acima das expectativas do mercado. Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o número ficou próximo das projeções dos analistas e, por isso, não deve alterar significativamente o cenário para a política monetária.
“IPCA veio levemente acima do esperado frente ao que o mercado projetava. O índice registrou alta de 0,07% frente um consenso de 0,03%”, diz.
Entre os grupos que mais pressionaram o índice em julho, destaque para Habitação, que apresentou alta de 0,99%, acima da variação de 0,63% registrada em junho. Dentro do grupo, a energia elétrica residencial foi o principal vetor de pressão, passando de alta de 1,53% em junho para 3,09% em julho.
“A maior variação do índice foi no setor de habitação, no qual teve uma variação de 0,99% (0,63% em junho) e que teve a energia elétrica como principal vetor de alta, que saiu de alta de 1,53% em junho para 3,09% em julho. Outro setor que impactou o IPCA foi a parcela de saúde e cuidados pessoais, que subiu 0,40% frente a 0,23% em junho”, comenta.
Segundo Magno, os reajustes tarifários aplicados por concessionárias de energia em diferentes regiões do país ajudam a explicar o avanço observado no segmento: “Na minha visão, o principal impacto na energia eletrica é devido aos reajustes tarifários, 8,85% em uma das concessionárias em SP, 14,89% em uma das concessionarias em Porto Alegre e 19,55% em Curitiba. Basicamente foi o que mais impactou a parte de habitação”.
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais também apresentou aceleração em julho. Entre os itens que contribuíram para o resultado, os artigos de higiene pessoal registraram alta de 0,64%, com destaque para perfumes e planos de saúde.
“Quanto a saúde e cuidados pessoais, os artigos de higiene pessoal subiram 0,64%, com destaque para perfumes (1,04%) e para planos de saúde (0,42%), sendo este último, os reajustes que foram autorizados pela ANS.”
Na direção oposta, Alimentação e Bebidas foi o principal alívio para o IPCA em julho. O grupo registrou queda de 0,67% e contribuiu negativamente em 0,14 ponto percentual para o índice. O resultado foi influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14% no mês.
“O principal destaque de queda ficou com alimentação e bebidas, que caiu 0,67% e impactou o IPCA em -0,14 p.p, principalmente por influência da alimentação no domicílio, que recuou 1,14% em julho. Alimentos em gerais, por exemplo, preço do tomate caiu 29,09%, batata inglesa 19,59%, cenoura 14,41%. Alimentos que tem um bom impacto na cesta de compras do brasileiro”, afirma.
Para Magno, o resultado de julho não deve ser suficiente para alterar a trajetória esperada para a política monetária. A avaliação é de que o Banco Central deve continuar acompanhando outros indicadores de inflação e fatores externos antes de tomar novas decisões sobre os juros.
“Não acredito que estes dados do IPCA vão impactar as próximas decisões de juros. Como a diferença entre realizado e projetado pelos analistas foi bem pequena, acredito que o Copom ainda terá um tom mais cauteloso, observando outras diretrizes de fora e outros dados de inflação para os próximos meses”, diz.