Economia

China decide taxar e limitar importação de carne bovina para proteger produtores locais


A China decidiu taxar e limitar a importação de carne bovina. A medida atinge o Brasil.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira. Só neste ano comprou quase metade do volume que o Brasil exportou. Cerca de um milhão e setecentas mil toneladas.
Hoje, o governo chinês estabeleceu cotas anuais para os países vendedores de carne bovina. Acima desse patamar, será aplicada uma sobretaxa. A medida começa a valer amanhã e vai até 2028. No caso do Brasil, a cota anual em 2026 será de um milhão e mil toneladas — o que passar desse limite fica sujeito a uma cobrança adicional de 55%.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, essa sobretaxa vai se somar à tarifa de 12% que hoje já é aplicada à carne brasileira, chegando a uma cobrança total de 67%.
China decide taxar e limitar importação de carne bovina para proteger produtores locais
Jornal Nacional
As entidades avaliaram que “a aplicação das medidas de salvaguarda pela China, altera as condições de acesso ao seu mercado e impõe uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação. Esses embarques dizem respeito a produtos com valor agregado e perfil distinto do consumo doméstico, associados à geração de emprego e renda no setor”.
“E que seguirão acompanhando a implementação das medidas, atuando diretamente junto ao governo brasileiro e às autoridades chinesas para reduzir os danos que essa sobretaxa causará aos pecuaristas e exportadores brasileiros e para preservar o fluxo comercial historicamente praticado.”
O governo diz que, há quase um ano, já vinha conversando com a China sobre as salvaguardas anunciadas agora. E que, por isso, não cogita acionar a Organização Mundial do Comércio ou adotar medidas de reciprocidade, a aposta é no caminho da diplomacia.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que a negociação envolve esclarecimentos sobre a carne que já está a caminho da China e o aumento da cota imposta ao Brasil.
“Por exemplo, países como EUA, que não exportaram nada em 2025, podem ser que não venham a exportar em 2026 e eles têm uma cota, essa cota pode ser utilizada pelo Brasil. É importante saber e nós vamos negociar o que fica restrito dentro da cota? O que já foi embarcado em dezembro e vai chegar só em janeiro? Ou só o que já foi embarcado a partir de janeiro? Então a gente vai estar negociando com eles esses detalhes”.
Economia

Presidente do STF, Edson Fachin, divulga mensagem de fim de ano


O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, divulgou hoje uma mensagem de fim de ano.
Fachin afirmou que “o país tem hoje instituições firmes e sólidas, que funcionam dentro do Estado de Direito”, do que ele chamou de “o canteiro de obras da democracia”.
Disse que “em contextos de incerteza que se afirmam, com maior vigor, a responsabilidade, o diálogo republicano e a fidelidade à constituição”. Reafirmou o compromisso do Supremo com a Constituição “e a defesa do estado de direito, da democracia e dos direitos humanos”.
Presidente do STF, Edson Fachin, divulga mensagem de fim de ano
Jornal Nacional
Declarou que são imprescindíveis “a autonomia e a independência da magistratura, com integridade institucional e com a promoção contínua da segurança jurídica, da eficiência e da transparência”.
Afirmou que a “confiança da sociedade é construída, dia após dia, pela coerência das decisões, pela responsabilidade das ações e pela abertura permanente ao aperfeiçoamento.”
Concluiu dizendo que “sabemos que o país ainda tem graves deveres históricos a cumprir. [E que] em tempos de grandes expectativas e intensas demandas, o poder judiciário deve ser referência de firmeza, estabilidade institucional e de serviço à sociedade”.
Economia

Banco Central identifica indícios de fraudes do Banco Master em transações com fundo investigado por ligação com PCC


Nos esclarecimentos que apresentou ao Tribunal de Contas da União, o Banco Central relatou indícios de crimes do Banco Master com uma gestora do setor financeiro, que se chama Reag, e está sendo investigada por ligação com o PCC.
Ontem, depois de divergências nos interrogatórios, a Polícia Federal concluiu a acareação entre o dono do master, Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
A acareação durou cerca de uma hora e terminou por volta de dez da noite. Antes, a delegada da polícia federal, Janaina Palazzo ouviu separadamente três citados.
Além do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi ouvido Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central. Ele não é investigado e foi liberado da acareação. Investigadores consideraram o depoimento dele útil e didático.
Banco Central identifica indícios de fraudes do Banco Master em transações com fundo investigado por ligação com PCC
Jornal Nacional
Vorcaro e Paulo Henrique Costa foram colocados frente a frente porque a delegada encontrou divergências nos depoimentos deles. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master vendeu para o BRB falsas carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, com o objetivo de arquitetar uma operação fraudulenta para salvar o Master. Em março deste ano, o BRB anunciou a compra do Master, que foi negada pelo Banco Central.
Antes de ser demitido do comando do BRB, Paulo Henrique Costa defendeu a transação. Ele e Daniel Vorcaro estiveram à frente das negociações. Os depoimentos e a acareação foram acompanhados pelo juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, Carlos Vieira von Adamek, e pelo subprocurador Joaquim Cabral da Costa Neto.
O início dos trabalhos foi marcado por tensão e discordâncias entre a delegada e o juiz auxiliar de Dias Toffoli. Logo na chegada, a delegada anunciou que faria a acareação com os 3 citados, alegando que não havia determinação de Toffoli para depoimentos individuais.
O juiz auxiliar recorreu a Toffoli, que reforçou decisão do dia anterior para que todos fossem ouvidos separadamente e enviou uma lista de perguntas, o que gerou ainda mais tensão. A delegada só aceitou incluir as questões se ficasse registrado em ata que elas tinham sido formuladas pelo ministro Dias Toffoli.
Além da suspeita de irregularidade nas negociações do Master com o BRB, o Banco Central também identificou indícios de crime contra o Sistema Financeiro Nacional em outras operações. Desta vez do Master com a gestora de fundos Reag. O Banco Central encaminhou o caso ao ministério público federal em novembro.
Há suspeitas de que as transações tenham sido feitas com o objetivo de desviar dinheiro do conglomerado Master.
Em agosto, a Reag foi um dos alvos de busca e apreensão em uma mega operação contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro usado pelo PCC. Segundo os investigadores, fundos administrados pela Reag – que não estavam disponíveis a qualquer cotista – eram abastecidos com dinheiro ilegal.
A Reag afirmou que não se envolve nas atividades econômicas dos clientes. Segundo o relato do Banco Central ao Ministério Público fFederal, a fraude funcionava assim:
Uma empresa que fazia parte do esquema pegava dinheiro emprestado com o Master e aplicava em um fundo administrado pela Reag;
Este fundo, por sua vez, comprava títulos a um valor supervalorizado de um vendedor que também era da Reag;
E assim o dinheiro ia passando de fundo em fundo até voltar para fundos de Vorcaro e sócios do Master;
O valor dessas transações pode chegar a R$ 11,5 bilhões.
De acordo com o BC, o esquema fraudulento começou em julho de 2023 e foi até julho de 2024, combinando diferentes tipos de investimentos em uma única transação e botavam em risco os recursos dos clientes.