Economia

Revelação de 2025, Katseye vem ao Lolla em meio a ‘treta’ e com uma integrante a menos; entenda


Katseye se apresentará no Lollapalooza São Paulo
Divulgação
O girlgroup Katseye, que se apresenta no Lollapalooza 2026 neste domingo (22), estava indo de vento em popa quando foi anunciado no Brasil.
O grupo foi indicado a dois Grammys (incluindo Melhor Artista Revelação) e se apresentou na premiação em fevereiro. O evento coroou um ano estelar na carreira das artistas, com hits e vídeos que tomaram conta da internet.
Mas algumas semanas após o Grammy, uma das integrantes se afastou do grupo alegando questões de saúde mental. Agora, fãs estão divididos sobre a situação e o grupo vem desfalcado em sua estreia no Brasil. Entenda o que está acontecendo com o Katseye:
Grupo surgiu já nos moldes do k-pop
O Katseye não teve aquela origem “clássica” de grupo, em que integrantes se unem por gostos similares e vontade de começar uma bandinha. Na verdade, foi um grupo idealizado por muita gente engravatada.
O grupo foi formado entre 2023 e 2024 pelo reality show “Dream Academy”, idealizado pela Hybe (megaempresa de k-pop, responsável pelo BTS) em parceria com a Geffen Records, gravadora norte-americana que lançou Olivia Rodrigo.
KATSEYE: quem é o ‘girl group global’ da empresa do BTS que está subindo nas paradas
No reality, as meninas seguiram um processo nos moldes do k-pop, passando por um árduo processo de treinamento — sendo escolhidas individualmente após uma série de “testes”.
Dessa seleção, formou-se um grupo definido como um “girl group global”, com integrantes dos EUA, Coreia do Sul, Suíça e Filipinas — mas com todo o jeitão, investimento e origem da indústria pop coreana.
Hoje, os números do Katseye esbarram nos números de headliners do Lolla: hoje, no Spotify, o Katseye tem 30 milhões de ouvintes mensais, enquanto Tyler the Creator e Lorde têm 39 mi e 29 mi, respectivamente.
A pausa de Manon
O grupo estreou oficialmente em 2024, com sucesso modesto. Logo no início, as meninas começaram a morar juntas e entraram na exaustiva rotina de artistas já ancoradas por grandes gravadoras, com lançamentos, promoções e shows.
As coisas viraram mesmo para elas em 2025, quando o Katseye se consolidou como uma das principais revelações do ano graças a hits como “Gnarly” e “Gabriela”. Ao fim do ano, já estavam concorrendo a Grammys e fazendo sucesso mundial.
Mas em fevereiro de 2026, a Hybe e a Geffen postaram um comunicado anunciando que Manon estaria se “afastando temporariamente” do grupo.
Segundo o comunicado, a decisão foi tomada para que Manon focasse “em sua saúde e bem-estar”. Ela também se pronunciou, postando um texto nas redes sociais dizendo que estava “saudável e bem”.
“Às vezes, as coisas acontecem de maneiras que não controlamos totalmente, mas confio no panorama geral. Obrigada por estarem ao meu lado”, publicou a cantora.
O grupo confirmou que seguiu com a agenda de apresentações programadas durante a ausência de Manon, embora não tenha sido estabelecido um prazo oficial para o seu retorno definitivo.
Racismo?
Manon em foto do disco ‘Beautiful Chaos’
Reprodução
O hiato foi recebido com ceticismo. Pouco tempo após o comunicado oficial, fãs compartilharam um post curtido por Manon no Instagram. O conteúdo curtido sugeria que a cantora estaria sendo vítima de racismo e negligência por parte das empresas que cuidam do Katseye — e apontava que esse é um caso comum entre integrantes negras de girlgroups.
A análise comparava a trajetória de Manon às experiências de Normani (Fifth Harmony) e Leigh-Anne Pinnock (Little Mix), que também enfrentaram desafios semelhantes em grupos femininos.
O próprio grupo já mencionou ter vivido situações de racismo. Em 2025, o KATSEYE já havia vindo a público para denunciar que, desde o lançamento oficial do projeto, as integrantes foram alvo de uma onda massiva de discurso de ódio, incluindo insultos racistas e graves ameaças de morte.
Fãs também já estranhavam algumas ausências de Manon em vídeos e aparições e chegaram a acusar as gravadoras de boicotes ou negligência. Ela não aparece no vídeo de “Gabriela”, por exemplo, que acabou se tornando o maior hit do grupo. Na época, a gravadora disse que a integrante teve uma torção no tornozelo e não pôde participar.
Ao todo, a pausa de Manon repercutiu mundialmente porque mostrou uma “baixa” em uma carreira promissora. Independentemente se Manon se afastou por racismo ou não, é fato que ser uma mulher negra nessa indústria ainda é um assunto complexo.
“A saída de Manon não é apenas uma questão interna do grupo; ela também evidencia os problemas estruturais da indústria musical, que não compreende nem apoia adequadamente a posição das mulheres negras no cenário pop”, publicou a “Elle” japonesa.
Katseye segue e pede ‘amor para Manon’
Pode parecer que está tudo um climão, mas nos shows, o Katseye segue animado e dançante como sempre. Sem Manon, o grupo já se apresentou no Lolla Chile e Argentina e agora segue para o Brasil.
Com uma integrante a menos, elas adaptaram o repertório para performances e não evitam o assunto. “Aplausos para Manon”, pedem as meninas durante os shows.
Claro, os fãs sentem falta de Manon e podem ficar divididos ao ver o grupo neste Lollapalooza. Resta aguardar para ver como é o Katseye nessa configuração, ainda que temporária. Elas se apresentam neste domingo (22), às 21h30, no palco Flying Fish.
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Tyler, The Creator: o que esperar do show que vai encerrar o Lollapalooza Brasil 2026


Como Tyler, The Creator resgata a dança no hip-hop em novo álbum
Tyler, The Creator será o último artista a se apresentar no palco principal do Lollapalooza Brasil 2026.
O show no domingo (22) é a segunda apresentação do rapper no Brasil. Ele veio em 2011, com o coletivo Odd Future, para o festival SWU, em Paulínia (SP). Em 2018, cancelou sua vinda para o Lollapalooza Brasil por “questões pessoais”.
Mais de uma década depois da sua “estreia” em terras brasileiras, teremos a chance de assistir a um novo Tyler. E isso é uma ótima notícia.
Com um som mais maduro e uma estética que o tornou uma espécie de ponte entre o rap e o pop norte-americano, a expectativa é de encerrarmos o Lolla com um dos melhores shows de hip-hop da atualidade.
Tyler, The Creator apresenta ‘Sugar on my tongue’ no Grammy 2026
AP Photo/Chris Pizzello
O Tyler do passado
Tyler Gregory Okonma nasceu na Califórnia (EUA) e iniciou na música como líder do coletivo Odd Future, lá no final dos anos 2000 e começo dos 2010. Seu nome artístico tem ligação com as redes sociais do início da década passada.
“Eu tinha três MySpaces. Um deles eu publicava meus desenhos e uns beats que eu fazia à época. E o nome dessa página eu coloquei Tyler, The Creator, porque não consegui pensar em outra coisa. Essa página começou a ficar popular e daí assumi esse nome artístico. Não foi nada planejado”, disse em entrevista ao programa de Jimmy Kimmel, em 2015.
De início, o som de Tyler – e do Odd Future, como um todo – era duro, tendo letras com muitos palavrões e sexo explícito.
Volta e meia o rapper estava envolvido em polêmicas: passando por uma das rimas de “Tron Cat”, que cita o estupro de uma mulher grávida, pelo videoclipe de “Yonkers”, onde ele come uma barata e, ao final, se suicida, além de uma série de ofensas sexistas direcionadas a Selena Gomez (anos depois, ele lançou “Manifesto”, música em que pede desculpas à atriz).
Por conta das composições, digamos, viscerais, alguns críticos tentavam enquadrar o som produzido por ele e outros membros do coletivo no subgênero “horror-core”, algo que sempre foi rechaçado pelo artista.
As performances extravagantes nos palcos e essa espécie de alterego sedento por chocar a sociedade marcaram essa primeira fase da carreira de Tyler. Obviamente, isso fez com que ele angariasse fãs e haters do seu trabalho, principalmente das suas letras.
Tyler, the Creator: o líder por trás do coletivo de hip-hop Odd Future Wolg Gang Kill Them All durante show no SWU em 2011
Gustavo Miller/G1
“Na verdade, eu só estou me divertindo. Sou jovem, e quando você é jovem acaba encontrando coisas que te interessam. Leio livros sobre assassinos em série, estupro e coisas assim, então minha cabeça está meio cheia disso no momento. Eu não sou um assassino em série”, disse em entrevista para a revista “SPIN”, em 2011.
“Se você leva isso a sério, ou você é velho demais ou não teve uma infância boa e leva a vida a sério demais. Algumas pessoas simplesmente ficam aí levando as coisas a sério demais.”
As mudanças do tempo
Com o passar do tempo, o som do rapper foi ficando mais sóbrio. Melodias mais sofisticadas, uma aproximação maior com o R&B e letras mais diversas e menos chocantes.
A sequência “WOLF” (2013), “Flower Boy” (2017) e “Igor” (2019), com “Cherry Bomb” (2015) perdido no meio do caminho, mostrou um Tyler como um artista muito mais completo e até mesmo dialogando com o pop, como no caso de “EARFQUAKE”, principal single de “IGOR”.
“Eu não sou quem eles [fãs] conheceram aos 20 anos. Eu nem sou quem eu era há um ano. Quando eles dizem: ‘Eu quero a versão antiga’, eu sei que é porque eles ainda estão lá. Mas eu não estou. E tudo bem, porque minha identidade não reside em uma versão de mim mesmo.”
O Tyler do presente
Clipe de “Stop Playing With Me” de Tyler, the Creator
Divulgação
Em 2024 e 2025, Tyler lançou álbuns com propostas completamente diferentes. “CHROMAKOPIA” é seu trabalho mais experimental, e “DON’T TAP THE GLASS” vai por um caminho mais despretensioso, sem grandes elaborações. “É para a galera dançar. E só”, ele explicou.
Na temporada atual de premiações, foi interessante ver como a indústria tentou encaixar os dois álbuns. Ambos concorreram ao Grammy, mas “CHROMAKOPIA” concorreu a Álbum do Ano e Melhor Álbum de Rap, enquanto “DON’T TAP THE GLASS” disputou na categoria de Melhor Álbum Alternativo.
Montagem das capas dos álbuns ‘GNX’ de Kendrick Lamar e ‘Chromakopia’ de Tyler, The Creator
Reprodução / divulgação
A vitória – a terceira de Tyler no Grammy – veio numa categoria inédita. “CHROMAKOPIA” venceu como Melhor Capa de Álbum.
Os fãs devem assistir a um show que mistura muito dos últimos dois álbuns. Levando em consideração os shows na Argentina e Chile, o cantor não desembolsou muito dinheiro para investir em um palco super produzido. Não devemos ter muita pirotecnia.
Diferentemente das últimas apresentações de rappers em grandes festivais no Brasil – caso de Travis Scott e Don Toliver no The Town –, o som de Tyler é bem mais maduro e seus shows também. O excesso de auto-tune é substituído por uma mistura de rap que dialoga com o pop atual, tem bons elementos de R&B. Quem assistir vai, provavelmente, dançar mais do que pular.