Mês: março 2026
Governo fiscalizou 1,1 mil postos de combustíveis para evitar abusos
O governo federal aumentou a fiscalização sobre postos e distribuidoras de combustíveis para verificar o aumento abusivo de preço aos consumidores e a formação de cartéis em meio ao conflito provocado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Desde 9 de março, a fiscalização feita por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e dos Procons estaduais e municipais percorreu 179 municípios em 25 estados e visitou 1.180 postos – de um universo de 41 mil postos.
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Mais de 900 notificações foram aplicadas ao mercado de combustíveis, sendo 125 feitas a empresas distribuidoras.
Segundo o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom) já notificou empresas que correspondem a 70% do mercado de distribuição de combustíveis.
No total, 36 multas e interdições foram aplicadas a distribuidoras e postos.
“Esse ambiente de guerra de excepcionalidade não justifica práticas abusivas que estão sendo constatadas”, disse o ministro se referindo ao conflito no Oriente Médio e à elevação de preço nas bombas de diesel e gasolina.
O preço do barril de petróleo chegou ao pico de US$ 120 e momentos de maior volatilidade e há análises de mercado que não descartam elevações superiores, especialmente por causa da dificuldade de transporte do petróleo no Estreito de Omuz, por onde é comercializada cerca de 25% do volume global da mercadoria.
Lima e Silva também informou que foi assinada uma portaria criando uma força-tarefa para o monitoramento e a fiscalização dos mercados combustíveis “unindo e agregando” o trabalho da Senacon, da Polícia Federal e da Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Segundo ele, a portaria que será publicada no Diário Oficial da União também serve como “reforço normativo” para que outros órgãos dos estados e dos municípios possam participar “com o lastro institucional adequado” no combate ao aumento de preços nas distribuidoras e bombas, formação de cartel de postos e de crimes contra a economia popular.
ANP fiscaliza distribuidoras de combustível no Rio de Janeiro
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou, nesta sexta-feira (20), fiscalização em base de distribuição em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, na qual operam várias distribuidoras de combustível. 

Os fiscais apuram se houve aumento da margem de lucro de distribuidoras após os efeitos decorrentes da guerra no Oriente Médio.
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A fiscalização, segundo a ANP, faz parte de uma série de ações realizadas ao longo da semana, em postos de combustíveis e distribuidoras com foco na apuração de possíveis abusos na cobrança de preços.
Nas ações, também são verificados aspectos de qualidade e outros itens relacionados às normas da ANP.
Apenas no local fiscalizado funcionam oito operadoras, que compram combustíveis de refinarias, inclusive da Petrobras, para comercializar no varejo.
A fiscalização envolve comparar notas fiscais emitidas antes e após o início da guerra no Oriente Médio.
A ANP ainda não divulgou o resultado da fiscalização.
Impacto da guerra
Desencadeadora do choque global de preços do petróleo, a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã foi iniciada em 28 de fevereiro.
Uma das formas de retaliação do Irã é o ataque a países vizinhos produtores de petróleo e o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e Omã, ao sul do Irã.
Por ali passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A tensão na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços.
O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.
No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14), mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pela desoneração (redução de tributos) efetuada pelo governo.
Aumento abusivo
Nesta sexta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como “banditismo” e criticou postos de combustíveis que aumentaram o preço do óleo diesel nas últimas semanas.
Para Boulos, o aumento do óleo diesel no país não é justificado pela guerra do Oriente Médio, uma vez que o governo federal anunciou medidas para conter a escalada de preços, como a redução a zero das alíquotas de impostos federais que incidem sobre o combustível (PIS e Cofins).
O governo também propôs aos estados a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado.
* Colaborou Vladimir Platonow, repórter da TV Brasil
Dólar sobe a R$ 5,30, e Ibovespa cai 2,25% com tensão global
Em um novo dia de tensão no mercado financeiro, o dólar voltou a superar R$ 5,30, enquanto o Ibovespa recuou mais de 2%. A instabilidade refletiu a aversão global ao risco diante da escalada do conflito no Oriente Médio e do avanço dos preços de energia.

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (20) vendido a R$ 5,309, com alta de R$ 0,093 (+1,79%). A cotação abriu em torno de R$ 5,24 e acelerou a alta após a abertura dos mercados nos Estados Unidos.
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No maior nível desde o dia 13, a moeda estadunidense sobe 3,41% em março. Em 2026, no entanto, a divisa recua 3,28%.
No mercado de ações, a tensão também foi grande. O índice Ibovespa, da B3, fechou o dia aos 176.219 pontos, com queda de 2,25%. O indicador está no menor nível desde 22 de janeiro.
A bolsa brasileira recuou 0,81% e acumula perda de 6,66% em março. Em 2026, porém, sobe 9,37%. Essa foi a quarta semana consecutiva de queda no Ibovespa.
Pressão externa
O movimento foi impulsionado pela valorização global do dólar e pela alta dos juros nos Estados Unidos, em meio à reavaliação das expectativas para a política monetária.
Investidores passaram a considerar a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) adote uma postura mais rígida diante do risco inflacionário provocado pelo encarecimento da energia.
As taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram, pressionando ativos de maior risco, especialmente em países emergentes.
Guerra no radar
O agravamento das tensões envolvendo o Irã elevou a incerteza global. Informações sobre possível envio de tropas dos Estados Unidos e ameaças de interrupção no fornecimento de petróleo ampliaram a cautela nos mercados.
O risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, reforçou temores de choque prolongado nos preços de energia.
Petróleo em alta
Os contratos internacionais de petróleo registraram nova alta. O Brent, referência global, fechou acima de US$ 112 por barril, com alta de mais de 3%. Durante o dia, a cotação chegou a US$ 115.
Relatórios de instituições financeiras indicam que, em caso de interrupção prolongada no fluxo de petróleo, os preços podem permanecer elevados por meses, pressionando a inflação global.
Impacto no Brasil
No mercado doméstico, o real teve um dos piores desempenhos entre moedas emergentes, refletindo a saída de recursos e a redução de posições em ativos locais.
A alta dos juros globais e a incerteza externa também impactaram a bolsa brasileira, com queda disseminada entre ações sensíveis ao ciclo econômico e ao crédito.
Papéis de setores como construção civil e varejo foram especialmente pressionados, acompanhando a disparada dos juros no mercado futuro.
* com informações da Reuters
BC comunica exposição de dados de 28 mil chaves Pix
Um total de 28.203 chaves Pix de clientes da Pefisa S.A. tiveram dados vazados, informou nesta sexta-feira (20) o Banco Central (BC). Esse foi o terceiro incidente com o Pix em 2026 e o 23º desde o lançamento do sistema instantâneo de pagamentos, em novembro de 2020.

Segundo o BC, a exposição ocorreu de 30 de agosto de 2025 a 27 de fevereiro de 2026 e abrangeu as seguintes informações:
- nome do usuário;
- CPF;
- instituição de relacionamento;
- número da agência;
- número e tipo da conta;
- data de abertura da conta;
- e data de criação e de posse da chave Pix.
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O incidente, apontou o BC, ocorreu por causa de falhas pontuais em sistemas da instituição de pagamento. A exposição, informou o BC, ocorreu em dados cadastrais, que não afetam a movimentação de dinheiro. Dados protegidos pelo sigilo bancário, como saldos, senhas e extratos, não foram expostos.
Embora o caso não precisasse ser comunicado por causa do baixo impacto potencial para os clientes, a autarquia esclareceu que decidiu divulgar o incidente em nome do “compromisso com a transparência”.
Todas as pessoas que tiveram informações expostas serão avisadas por meio do aplicativo ou do internet banking da instituição. O Banco Central ressaltou que esses serão os únicos meios de aviso para a exposição das chaves Pix e pediu para os clientes desconsiderarem comunicações como chamadas telefônicas, SMS e avisos por aplicativos de mensagens e por e-mail.
Investigação
A exposição de dados não significa necessariamente que todas as informações tenham vazado, mas que ficaram visíveis para terceiros durante algum tempo e podem ter sido capturadas. O BC informou que o caso será investigado e que sanções poderão ser aplicadas. A legislação prevê multa, suspensão ou até exclusão do sistema do Pix, dependendo da gravidade do caso.
Em todos os 23 incidentes com chaves Pix registrados até agora, foram expostas informações cadastrais, sem a exposição de senhas e de saldos bancários. Por determinação da Lei Geral de Proteção de Dados, a autoridade monetária mantém uma página em que os cidadãos podem acompanhar incidentes relacionados com a chave Pix ou demais dados pessoais em poder do BC.
Com 5 milhões de clientes ativos, a Pefisa S.A. (Credito, Financiamento e Investimento) é a fintech e braço financeiro do grupo Pernambucanas. A empresa gerencia a conta digital, cartões Elo (Mais/Grafite), empréstimos, seguros e Pix da loja, concentrando-se em soluções de varejo físicas e digitais. A reportagem tenta contato com a instituição.
Durigan diz ter medidas alternativas se ICMS do diesel não avançar
No primeiro pronunciamento como ministro da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu o cargo nesta sexta-feira (20), disse que o governo federal prepara medidas alternativas para conter a alta do diesel, caso os estados não aceitem a proposta de desoneração do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação do combustível.

Durigan ressaltou que a equipe econômica não ficará inerte diante da crise provocada pela guerra no Oriente Médio e seus impactos nos preços.
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“Não deixaremos de apresentar outras medidas assim que necessário”, afirmou.
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Estados
O Ministério da Fazenda propôs nesta semana a isenção do ICMS sobre o diesel importado até o fim de maio, com compensação de 50% das perdas de arrecadação por parte da União.
O custo estimado da medida é de cerca de R$ 3 bilhões por mês. Segundo o ministro, apenas um governador respondeu formalmente até o momento.
“Somente o governador do Piauí deu retorno, concordando com a desoneração”, disse.
Durigan classificou a proposta como “generosa”, destacando o esforço do governo federal em dividir o impacto fiscal com os estados.
Medidas
O ministro afirmou que outras ações já estão em curso para conter os efeitos da alta dos combustíveis. Entre elas, citou o reforço na fiscalização, ajustes na tabela de frete e a desoneração de tributos federais como PIS/Cofins sobre o diesel.
Também mencionou a possibilidade de novas intervenções, dependendo da evolução do cenário internacional.
“Temos uma série de medidas que podem ser adotadas a depender de para onde for essa guerra e o preço dos combustíveis”, afirmou.
Durigan avaliou que houve uma redução da tensão com caminhoneiros após o anúncio das medidas iniciais, em meio a rumores de paralisação da categoria.
“Vimos um distensionamento, pelo menos em primeira aproximação”, disse.
Continuidade
O novo ministro também ressaltou que sua gestão dará continuidade ao trabalho de Fernando Haddad, de quem foi secretário-executivo.
“O trabalho sob a minha condução será de continuidade da gestão do ministro Fernando Haddad, com projetos aprovados e distorções corrigidas”, afirmou.
Prioridades
Entre as prioridades, Durigan destacou o avanço do ajuste fiscal, a revisão de benefícios tributários e a melhoria da eficiência do gasto público.
Ele também defendeu o aperfeiçoamento do sistema de crédito e maior regulação da concorrência em plataformas digitais.
“A economia faz sentido quando percebemos resultados concretos na vida das pessoas”, disse.
O novo ministro afirmou que pretende aprofundar o programa Eco Invest Brasil, por meio do qual o governo capta recursos privados para projetos socioambientais.
Segundo Durigan, haverá uma emissão de títulos sustentáveis no mercado ainda este ano.
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