Economia

Como os drones da Ucrânia atingem o coração financeiro da Rússia: o petróleo


Refinaria na Rússia
reprodução/TV Globo
A Ucrânia vem atacando refinarias e terminais de exportação de petróleo da Rússia. Os danos a essas estruturas são mais uma fonte de pressão sobre a cotação internacional do barril.
A Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo. Foram US$ 160 bilhões só no ano passado.
Toda essa riqueza abastece a máquina de guerra do país. E, por isso, se tornou um alvo estratégico da ofensiva da Ucrânia.
Três fontes do setor — ouvidas pela agência de notícias Reuters — indicam que a Rússia já teria perdido um quinto da capacidade total de exportação. Resultado dos ataques ucranianos sobre as refinarias do país. E também sobre a infraestrutura de escoamento, causando mais impacto sobre o ritmo de produção.
Segundo a agência Reuters, a Rússia enfrenta atualmente uma queda na capacidade de exportação na ordem de 1 milhão de barris por dia.
E mais cortes na produção de petróleo são iminentes, o que pode aumentar ainda mais a pressão sobre a crise global de energia, causada pelo Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
“O aumento do preço do petróleo, isso favoreceu muito a Rússia, o que preocupou a Ucrânia, ou seja, a Rússia está faturando mais com o que aconteceu após a guerra com o Irã do que estava antes. Mesma coisa o próprio Irã”, diz o professor de Relações Internacionais Carlos Gustavo Poggio.
“Então, o que tem visto é a Ucrânia utilizando ferramentas e estratégias que são estratégias similares às estratégias que o Irã tem usado contra os Estados Unidos, que, ou seja, não é você confrontar o inimigo diretamente no campo de batalha, mas é você aumentar os custos econômicos e políticos para o inimigo continuar lutando essa guerra”, complementou.
A Ucrânia tem usado drones para atacar a infraestrutura da Rússia. Dois desses alvos são portos localizados no Mar Báltico: Ust-Luga e Primorsk — que dão acesso ao norte europeu e a uma rota comercial estratégica.
Imagens de satélite mostram uma coluna de fumaça em Primorsk — no último domingo — depois de um ataque ucraniano.
Pelo menos oito tanques foram danificados. O que representa cerca de 40% da capacidade de armazenamento do porto.
Já a estrutura de Ust-Luga, que fica bem ali perto, sofreu ataques durante pelo menos cinco dias no mês passado — em março.
Isso teria causado a suspensão temporária do escoamento na região. Essa estratégia ucraniana tenta dar um golpe direto sobre o pilar financeiro da Rússia. É que a produção de petróleo e gás natural — segundo pesquisadores — representa um quarto de toda a receita estatal do país.
Nessa última terça-feira (1), o porta-voz do Kremlin declarou que tem sido feito um trabalho intenso para proteger o porto de Ust-Luga, além de outras instalações de infraestrutura crítica.
Dmitri Peskov chamou as ações ucranianas de terroristas.
A Rússia já enfrenta uma série de embargos econômicos — impostos por países do Ocidente, que tentam forçar o fim da guerra na Ucrânia. A União Europeia, por exemplo, que antes do conflito comprava cerca de um quarto do seu petróleo da Rússia, praticamente zerou o volume de importações e também decidiu acabar com a dependência do petróleo russo até 2027.
“A Rússia, assim como a Arábia Saudita, são os dois maiores exportadores. Então, você tem já a Arábia Saudita limitada por conta da guerra do Irã. E se você tiver agora a Rússia também limitada por conta da guerra na Ucrânia, você tem aí, eu diria, a pior situação possível em mercado extremamente restrito, cada vez mais restrito, se isso se configurar e se mantiver ao longo do tempo, diz David Zylbersztajn, ex-diretor geral da ANP.
“Você está mexendo com a demanda, com a oferta global de petróleo e, portanto, com o preço global do petróleo, que é essa commodity que é muito sensível a mudanças na oferta. Então isso acaba afetando a todos”, diz Carlos Poggio Teixeira.
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Economia

Jerusalém vazia na Sexta-Feira Santa expõe o impacto da guerra sobre a fé


Cidade Velha de Jerusalém está vazia
reprodução/TV Globo
A tensão da guerra esvaziou as celebrações da Sexta-Feira Santa no Oriente Médio.
A Cidade Velha de Jerusalém, quase deserta na Sexta-Feira Santa, é uma imagem incomum. Lojas fechadas, ruas vazias. Ausência de peregrinos na Via Dolorosa, o caminho que, segundo a tradição cristã, Jesus percorreu até a crucificação.
Jerusalém parece triste, de verdade. Os rituais mais importantes do cristianismo foram afetados.
Jesus hoje caminha sozinho para a morte, como fez há 2.000 anos, sem seus discípulos, sem seus seguidores. O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, celebrou uma cerimônia na Igreja do Santo Sepulcro.
A liturgia que comemora a Paixão de Cristo aconteceu dentro da basílica na Cidade Velha de Jerusalém. Desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a polícia israelense restringiu o acesso a locais sagrados, alegando razões de segurança, já que aquela área não dispõe de abrigos suficientes.
No último domingo, o cardeal católico foi impedido de celebrar ali o domingo de ramos, provocando indignação internacional.
O que fez o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu então revogar a proibição. Quase cinco semanas depois do início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, a guerra se espalha pela região e aprofunda a crise.
No sul do Líbano, uma tempestade de areia cobriu a fronteira com Israel. Mesmo com baixa visibilidade, tropas israelenses mantêm o patrulhamento.
Os militares avançam com cautela em uma das áreas mais tensas do Oriente Médio. Mesmo em meio à guerra, cristãos do sul do Líbano mantiveram as celebrações da sexta santa.
Fiéis rezaram na Catedral de São Tomás. Em Qlayaa, uma procissão levou a cruz pelas ruas, com soldados na segurança. Muitos decidiram ficar, mesmo diante do medo, vivem no isolamento depois dos avanços militares na região.
“Estamos muito cansados…todos os dias há ameaças. Não podemos sair”, disse Esperence Mbayet.
Em Roma, a Sexta-Feira Santa foi dedicada a apelos por uma paz duradoura. Nesta manhã, o papa Leão XIV conversou com os presidentes da Ucrânia e de Israel. Defendeu a proteção dos civis, ajuda humanitária e retomada do diálogo diplomático.
Depois, na Basílica de São Pedro, o pontífice presidiu a celebração da Paixão de Jesus. Durante a cerimônia, o papa se prostrou em oração, enquanto a homilia foi conduzida pelo pregador da casa pontifícia.
Na Via Sacra, no Coliseu, Leão XIV carregou a cruz durante todo o percurso. Fato que não acontecia desde Paulo VI. As meditações fizeram referência às guerras atuais e ao sofrimento de civis.
Nas 14 estações da Via Crucis, a denúncia do poder exercido por líderes que pensam que podem abusar dele, desencadeando conflitos devastadores e provocando traumas em povos inteiros.
Não se fala de Irã, Israel, Palestina ou Rússia e Ucrânia, mas o som das bombas está presente em cada passagem. No fim, um recado direto: a fé não se cala diante da guerra.
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