O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (20/05) que as recentes negociações com o Irã estão em fase final. No entanto, faz novas ameaças para possibilidade de ataques caso não haja um acordo com Teerã, segundo a agência Reuters.
Trump suspendeu a Operação Fúria Épica após retaliações de Teerã e abriu negociações para um cessar-fogo. “Estamos nos estágios finais com o Irã. Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo, ou teremos que tomar medidas um pouco desagradáveis, mas espero que isso não aconteça”, disse.
O mandatário norte-americano disse “não ter pressa” para alcançar um acordo desta vez. “Idealmente, gostaria de ver poucas pessoas mortas, em vez de muitas. Podemos fazer de qualquer maneira”.
Um dia após confirmar a jornalistas na Casa Branca a suspensão de uma ofensiva planejada contra o Irã, Trump afirmou que poderá atacar o país persa nos próximos dias caso não haja um acordo de paz. Uma das exigências do mandatário estadunidense é o desmantelamento do programa nuclear iraniano.
Em contrapartida, Teerã acusou Trump de planejar reiniciar a guerra e ameaçou retaliar qualquer ataque. Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que, “caso a agressão se repita, a guerra prometida se estenderá além da região desta vez”.
Segundo a Reuters, um dos principais negociadores do lado iraniano, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em uma mensagem de áudio divulgada nas redes sociais que “movimentos óbvios e ocultos do inimigo” demonstravam que os Estados Unidos estavam preparando novos ataques.

The White House
Conflito planejado
De acordo com o jornal norte-americano New York Times, logo após o início dos ataques, autoridades estadunidenses e israelenses discutiram maneiras de enfraquecer o sistema político islâmico iraniano liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Segundo o periódico, o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad surgiu como uma das principais alternativas políticas. Ele integrou o regime iraniano durante dois mandatos consecutivos, de 2005 a 2013, mas acumulou conflitos com setores influentes do governo nos anos seguintes, o que levou alguns estrategistas a considerarem seu nome em um eventual cenário de transição de poder no país.
No entanto, após os ataques ocorridos em fevereiro, o paradeiro de Ahmadinejad é desconhecido. O governo Trump nega que o conflito tenha como objetivo promover uma troca de regime no Irã e afirma que os ataques tiveram como alvo apenas instalações militares e do programa nuclear iraniano.
A porta-voz do governo, Anna Kelly, afirmou que, “desde o início, o presidente Trump foi claro sobre seus objetivos para a Operação Fúria Épica: destruir os mísseis balísticos do Irã, desmantelar suas instalações de produção, afundar sua Marinha e enfraquecer aliados de Teerã na região”.
Ainda assim, a porta-voz afirmou que os objetivos militares já teriam sido alcançados e que a prioridade agora é a negociação de um acordo diplomático. Porém, avaliações da inteligência dos EUA apontam que os bombardeios não destruíram completamente a infraestrutura militar e nuclear iraniana, contestando parcialmente o discurso oficial da Casa Branca.
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