A cidade de São Paulo recebe nesta quinta-feira (04/06) o cientista político e professor judeu norte-americano Norman Finkelstein para o lançamento da edição brasileira de seu livro A Indústria do Holocausto: Reflexões sobre a Exploração do Sofrimento Judeu.
A abertura da agenda do autor no Brasil ocorrerá durante a Feira do Livro 2026, no painel “Holocausto e Palestina”, realizado no Auditório Museu do Futebol.
Na ocasião, Finkelstein será entrevistado pela jornalista Patrícia Campos Mello em um debate que abordará as principais teses de sua obra e suas análises sobre o uso político da memória do Holocausto.
Filho de sobreviventes dos campos de concentração nazistas e do Gueto de Varsóvia, Finkelstein tornou-se conhecido internacionalmente por suas críticas ao que considera uma instrumentalização da memória do genocídio judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Em seu livro, o autor argumenta que a lembrança do Holocausto foi transformada em uma representação ideológica utilizada para atender interesses políticos, financeiros e institucionais.
Além da participação na Feira do Livro, Finkelstein será entrevistado pelo jornalista Breno Altman, fundador de Opera Mundi, nesta sexta-feira (05/06), no programa 20 minutos.
O acadêmico também participará do seminário “Nunca Mais Sem Exceção: Racismo, Islamofobia e Antissemitismo em Tempos de Genocídio”, marcado para o dia 6 de junho, no Armazém do Campo, em São Paulo.
O evento é organizado pela Articulação Judaica de Esquerda, Vozes Judaicas por Libertação, Árabes e Judeus pela Paz, Centro de Estudos Palestinos da USP (CEPAL-FFLCH/USP), Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (GRACIAS/USP), Editora Autonomia Literária e MES/PSOL.
A aula magna contará com a participação da professora Arlene Clemesha, coordenadora do CEPAL/USP, e terá mediação de Melina Manasseh, representante da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL).
Debates sobre antissemitismo, islamofobia e racismo
A programação do seminário inclui duas mesas de debate. A primeira discutirá a instrumentalização política do antissemitismo e contará com a participação dos pesquisadores Brian Klug, Jamie Stern-Weiner e Paulo Yasha.
A segunda mesa abordará a islamofobia e o racismo antiárabe, além de sediar o lançamento do 3º Relatório sobre Islamofobia no Brasil, apresentado pela professora Francirosy Campos Barbosa, da USP.
Também haverá uma mesa institucional reunindo representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, entre eles a vereadora Mariana Conti (PSOL-Campinas), Regina Santos, do Movimento Negro Unificado, Debora Abramant, da Articulação Judaica de Esquerda, e Soraya Misleh, da Frente Palestina São Paulo.
Segundo os organizadores, o seminário ocorre em meio ao debate sobre políticas públicas de combate ao antissemitismo no Brasil.No Congresso Nacional, tramita um projeto de lei apresentado pela deputada Tabata Amaral que propõe a adoção da definição de antissemitismo elaborada pela International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA).
Já no âmbito do Poder Executivo, um grupo de trabalho federal voltado ao enfrentamento do antissemitismo desenvolve propostas que deverão ser apresentadas ao governo ainda este ano.
Ao final do encontro, os participantes pretendem elaborar um manifesto em defesa de uma política antirracista universal, fundamentada na legislação brasileira.
O documento deverá defender o combate ao antissemitismo sem a criação de categorias jurídicas de exceção, rejeitar hierarquias entre vítimas de discriminação e garantir o direito à crítica ao Estado de Israel e à solidariedade ao povo palestino.
A previsão é que o manifesto seja entregue à Presidência da República durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável (CDESS), marcada para o dia 10 de junho.
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