A Administração Nacional de Segurança Nuclear (NNSA) do Departamento de Energia dos Estados Unidos, em uma operação conjunta com parceiros internacionais, concluiu a retirada de 13,5 quilos de urânio enriquecido na Venezuela, remanescente de um reator de pesquisa. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (08/05) pela Embaixada norte-americana em Caracas, que classificou o trabalho como uma “vitória para os Estados Unidos”. O governo interino de Delcy Rodríguez não fez comentários imediatos sobre o assunto.
“A remoção segura de todo urânio enriquecido da Venezuela envia outro sinal ao mundo de uma Venezuela restaurada e renovada”, afirmou Brandon Williams, administrador da NNSA. “Graças à liderança decisiva do presidente [Donald] Trump, equipes dedicadas no terreno completaram em meses o que normalmente levaria anos”.
O material chegou em território norte-americano no início de maio, de acordo com a nota, após um processo de extração liderado pelo Escritório de Defesa de Não Proliferação Nuclear (DNN) em colaboração com o Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica (IVIC).
A operação foi dividida em três fases, envolvendo funcionários não somente de Washington, como também especialistas do Reino Unido, autoridades interinas do Ministério da Ciência e Tecnologia da Venezuela e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A primeira etapa consistiu no embalo do material radioativo em um contêiner; em seguida, o recurso foi encaminhado, por terra, até um porto venezuelano; por fim, o urânio foi transferido por um navio operado por uma empresa britânica para logo ser transportado aos Estados Unidos. O processo todo durou, de acordo com a NNSA, menos de seis semanas. Ao chegar em território norte-americano, as equipes locais descarregaram os contêineres e levaram o material até o Rio Savannah para processamento e reutilização.
“Por décadas, o reator RV-1 apoiou pesquisas em física e energia nuclear. Uma vez concluído esse trabalho em 1991, seu urânio, enriquecido acima do limite crítico de 20%, foi considerado material excedente”, explicou a missão diplomática.

Reprodução/Embaixada dos Estados Unidos em Caracas
O urânio enriquecido é cobiçado pelo presidente norte-americano Donald Trump, sendo atualmente uma de suas exigências cruciais nas negociações com o Irã pelo fim da guerra: Washington exige a interrupção completa do desenvolvimento do programa nuclear iraniano e o fornecimento do componente aos Estados Unidos.
Em uma de suas mais recentes declarações a respeito do tema, na quarta-feira (07/05), o republicano alegou que conseguirá ter acesso ao urânio enriquecido do país persa e que ambas as governanças tiveram conversas “muito boas”, no contexto das negociações em curso. No entanto, o lado iraniano desmentiu a informação, reiterando que não recuará em seus direitos nucleares, nem o direito ao enriquecimento.
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