Economia

‘Não é a nova covid’, diz chefe da OMS antes de navio com foco de hantavírus chegar em Tenerife

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, assegurou neste sábado (09/05) aos moradores de Tenerife que é “baixo” o risco de propagação de hantavírus relacionado à chegada de um navio de cruzeiro onde há um foco da doença. Segundo ele, a situação não pode ser comparada à pandemia de Covid-19.

“Preciso que vocês me ouçam claramente: essa não é uma nova Covid. O risco atual para a saúde pública relacionado ao hantavírus continua baixo”, escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus em uma carta aberta dirigida à população da ilha espanhola de Tenerife. Com oito casos confirmados da doença, o MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, deve chegar no início da manhã de domingo (10) ao arquipélago espanhol.

“Eu sei que vocês estão preocupados”, escreveu o chefe da OMS. “Eu sei que, quando vocês ouvem a palavra epidemia e veem um navio se aproximando de suas costas, memórias ressurgem – memórias que nunca apaziguamos totalmente. A dor de 2020 ainda é real, e eu não a minimizo nem por um instante”, declarou ele, reconhecendo que a cepa andina do hantavírus é “grave”.

O último boletim da OMS divulgado na sexta-feira (08/05) aponta para um total de oito suspeitos no barco que zarpou de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Entre os casos confirmados estão um casal de passageiros holandeses e uma alemã que morreram devido a complicações da doença considerada rara e transmitida principalmente por roedores.  

Diretor da OMS, Tedros Adhanom dirige carta aberta à população espanhola afirmando que hantavírus não pode ser comparado à Covid-19
X/@DrTedros

Navio chega no domingo

O cruzeiro MV Hondius chegará às Canárias entre 3h e 5h de domingo (0h e 2h de Brasília), segundo o governo espanhol. As autoridades regionais se recusaram a autorizar o navio a atracar e decidiram que ele permaneceria ao largo de Tenerife enquanto os cerca de 150 passageiros fossem testados e depois evacuados. 

Parte da tripulação permanecerá a bordo e seguirá depois para a Holanda. Três pessoas já haviam desembarcado em Cabo Verde na quarta-feira (06/05).

Ghebreyesus chegará neste sábado para coordenar a operação. Nesta manhã ele desembarcou em Madri, onde se reune com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. 

As autoridades espanholas tentam tranquilizar a população de Tenerife, dividida sobre o desembarque de passageiros, que será feito com embarcações de apoio. Os viajantes não devem circular pela ilha e o governo espanhol afirma que não haverá contato de quem desembarcar com os moradores.

Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, os passageiros serão avaliados ainda a bordo, e só poderão deixar o navio quando toda a operação de repatriação estiver pronta. A ideia é fazer um desembarque rápido e controlado.

Do porto, as pessoas serão levadas diretamente para o aeroporto para serem repatriadas em voos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os passageiros estrangeiros voltarão a seus países de origem após o desembarque, caso não haja contraindicação médica.

Após o final da operação, o navio seguirá para a Holanda, onde o governo e operadora Oceanwide Expeditions serão responsáveis por todo o processo de desinfecção, confirmou por sua vez o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Origem do foco é desconhecida

Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus. A doença é geralmente transmitida por roedores infectados e pode causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febre hemorrágica.

Embora a origem do foco continue desconhecida, segundo a OMS, o primeiro contágio teria ocorrido antes do início da expedição. A cepa Andes, a única que pode ser transmitida de humano para humano, foi confirmada entre os passageiros que tiveram resultado positivo nos testes, alimentando a preocupação internacional.

O primeiro passageiro que morreu, um holandês de 70 anos, já apresentava sintomas em 6 de abril. Ele e a esposa haviam viajado pelo Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar.

Nos últimos dias, as autoridades sanitárias de vários países têm se esforçado para localizar as pessoas que estiveram em contato com os contaminados e casos suspeitos. O objetivo é isolá-los e realizar testes para que não possam espalhar a doença. O período de incubação do hantavírus varia de uma a seis semanas.

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