Economia

Governo Tarcísio orienta adoção de material de ONG pró-Israel nas escolas paulistas

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo orientou as escolas da rede estadual a adotarem um conjunto de materiais pedagógicos produzidos pela ONG StandWithUs Brasil, que se apresenta como uma organização educacional de combate ao antissemitismo, informa reportagem do Diário do Centro do Mundo (DCM).

O material da entidade, presidida por André Lajst, foi encaminhado oficialmente às unidades escolares visando atividades pedagógicas com estudantes do ensino médio sob o tema “Antissemitismo: Passado, Presente e Futuro”. Entre as ações, estão previstos encontros semanais, produção de textos e elaboração de minidocumentários pelos alunos.

Conforme o DCM, embora se apresente como ação de combate ao semitismo e defesa dos dois Estados na resolução dos confrontos, o conteúdo tem viés sionista, com “interpretações específicas baseadas em autores identificados com o sionismo contemporâneo”.

A reportagem ressalta a proximidade entre os governos de Tarcísio de Freitas e do premiê israelense Benjamin Netanyahu. Em 2024, eles se encontraram em Israel e, no ano seguinte, o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, esteve no país em viagem oficial.

Governo Tarcísio orienta adoção de material de ONG pró-Israel em escolas paulistas
Governo do Estado de São Paulo

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DCM afirma que no material encaminhado aos professores e estudantes paulistas, não há referências à invasão dos territórios palestinos por Israel, à expansão dos assentamentos israelenses, às violações de direitos humanos denunciadas por organismos internacionais, tampouco às interpretações palestinas sobre o conflito.

Além disso, o conteúdo utilizado usa como referência o livro “Cartas ao meu vizinho palestino”, do escritor israelense-americano Yossi Klein Halevi, que serviu em uma unidade das Forças de Defesa de Israel durante a Primeira Intifada, entre 1987 e 1993.

O veículo conversou com cientista político e professor da Faculdade de Educação da USP, Daniel Cara. Ele salientou a importância da luta contra o antissemitismo, mas avaliou a iniciativa como “uma tentativa de lavar a imagem do Estado de Israel e da violência do sionismo através do governo paulista”.

Segundo a reportagem, sob essa ótica, o material menciona a Guerra dos Seis Dias, de 1967. Uma professora da rede pública de Osasco, sob condição de anonimato, alertou para “a criação de uma narrativa oficial” que chancela “a ação de terror, de morte e de guerra que estamos vendo na Palestina e no Líbano”.

Além disso, afirma DCM, “o conteúdo parece confundir antissemitismo com sionismo, o que demonstra um vínculo com o projeto da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que propôs interpretar o antissemitismo como uma forma de racismo para censurar quem faz críticas a Israel”.

A reportagem lembra que o Conselho Nacional de Direitos Humanos criticou a adoção dessa definição, definindo-a como “inconstitucional” ao “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.

 

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