Economia

Rodrigo Paz promulga lei que autoriza Exército a reprimir protestos na Bolívia

Os bolivianos iniciaram nesta segunda-feira (08/06) mais uma semana de protestos no país, que registrou ao menos 90 pontos de bloqueio distribuídos em Santa Cruz, Potosí, Chuquisaca, Oruro, La Paz e Cochabamba, no contexto de crescente descontentamento por parte dos setores sociais em relação à política neoliberal de Rodrigo Paz, na Presidência há sete meses.

Enquanto isso, neste mesmo dia, o mandatário boliviano promulgou a lei que regulamente estado de emergência, portanto autorizando as Forças Armadas a reprimirem os protestos e desobstruírem bloqueios de estrada promovidos por sindicalistas e camponeses. A legislação havia sido aprovada e sancionada pela Câmara dos Deputados nas primeiras horas da manhã de domingo (07/08), o que intensificou a pressão de diferentes setores políticos para a sua promulgação imediata. 

Agora, o presidente boliviano pode decretar estado de emergência por até 90 dias, com o endosso da Assembleia Legislativa e a possibilidade de estender sua duração.

Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, promulga lei que regulamenta estado de emergência, autorizando Exército a reprimir protestos no país
Dirección de Prensa, Presidencia de Chile

Protestos na Bolívia

Os protestos no país são liderados pela Federação dos Camponeses ‘Tupac Katari’ juntamente com a Central dos Trabalhadores da Bolivia (COB), que exigem a renúncia do chefe de Estado e prometem continuar nas ruas até que a gestão atenda às reivindicações sociais.

Os manifestantes criticam Paz pelas suas condutas neoliberais, em especial, devido às novas leis anunciadas para atrair investimentos em setores como hidrocarbonetos, energia e recursos evaporíticos. Acusam, além disso, as pretensões de privatizar empresas estatais e aumentar a tarifa de serviços básicos.

Também protestam os apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que tem sido, sem provas, acusado pelo governo de Paz de financiar as mobilizações.

De acordo com o relatório mais recente de tráfego da Administração de Rodovias da Bolivia, os bloqueios, iniciados há um mês, afetam seis departamentos do país. Cochabamba é o maior número de pessoas com 27, seguida por La Paz com 21, Oruro com 18, Potosí com 15, Chuquisaca com 10 e Santa Cruz com dois.

Na capital, La Paz, importantes estradas que conectam ao interior do país e à fronteira peruana permanecem isoladas, dificultando o transporte de mercadorias e passageiros em trânsito. 

As restrições também impactam empresas de transporte e cadeias logísticas, impactando na economia local. Um dos efeitos mais visíveis é a escassez de alimentos nos principais centros urbanos. Nos mercados de La Paz, por exemplo, faltam produtos básicos, enquanto comerciantes relatam alta nos preços devido à pouca oferta.

(*) Com Telesur

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