Em meio às negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta terça-feira (18/05) dizendo que pode atacar o país persa nos próximos dias caso um acordo de paz, que exige a retirada de armas nucleares pela parte iraniana, não seja alcançado. A declaração foi dada à imprensa horas após o republicano confirmar a suspensão de uma ofensiva planejada contra os iranianos a pedido de líderes das monarquias absolutistas do Golfo Pérsico.
“Estou falando de dois ou três dias, talvez sexta, sábado, domingo, algo assim, talvez no início da próxima semana, um período limitado de tempo, porque não podemos deixar que eles tenham uma nova arma nuclear”, afirmou o mandatário aos jornalistas na Casa Branca.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, também alertou que o Exército norte-americano está “armado e preparado” para uma possível retomada das hostilidades contra o Irã, apesar de afirmar que não se trata de uma “guerra eterna”. Em coletiva, o vice apontou que “muito progresso positivo foi feito” nas negociações com Teerã nos últimos dias.
Referente à recente decisão de recuar um ataque militar contra o Irã, o chefe de Estado norte-americano detalhou que “estava a uma hora de tomar a decisão” de executar a operação quando optou pelo cancelamento.
Pela plataforma X, o chefe da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, em Teerã, Ebrahim Azizi, avaliou que a suspensão do ataque norte-americano ocorreu devido à percepção de Trump de que qualquer medida agressiva contra o Irã resultaria em “enfrentar uma resposta militar decisiva”. Ainda nesta terça-feira, o comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbia do Irã, Major-General Ali Abdollahi, alertou que a nação responderá com força e capacidade “muito superiores” às usadas anteriormente caso os inimigos “cometam um novo erro”.
De acordo com a mídia estatal do Irã, a atual proposta de paz apresentada por Teerã envolve o fim das hostilidades em todos os campos, incluindo os ataques sionistas no Líbano, a retirada das tropas norte-americanas de regiões próximas ao Irã e reparações pelos danos provocados em ataques desde 28 de fevereiro. Segundo a IRNA, a contraproposta iraniana também exige necessariamente a suspensão das sanções ilegais, a liberação de ativos congelados no exterior e o fim do bloqueio marítimo dos Estados Unidos.

The White House
À agência Tasnim, uma fonte próxima à equipe de negociação iraniana disse, contudo, que “divergências fundamentais” persistem entre Teerã e Washington, atribuídas à “ganância norte-americana e sua falta de realismo”: enquanto Trump insiste que um cessar-fogo deve incluir o desarmamento nuclear iraniano, o governo persa reitera rechaço a quaisquer concessões e afirma manter a garantia de seus direitos nucleares.
Segundo a agência ISNA, o porta-voz militar iraniano Mohammed Akraminia reiterou nesta terça-feira que Teerã continuará gerindo o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo global e que foi parcialmente bloqueada após os ataques norte-americanos e israelenses de 28 de fevereiro. A autoridade destacou que os Estados Unidos precisam “respeitar a nação iraniana e observar os direitos legítimos da República Islâmica”.
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