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Uma jornalista brasileira a caminho de Gaza

Nos últimos 694 dias, assistimos a implementação da estratégia de dizimação do povo palestino. Bombardeios; deslocamentos forçados; doenças; fabricação da fome; expulsões; expropriações; prisões; torturas; assentamentos. Ataques deliberados, milimetricamente articulados contra a população civil, infraestruturas hospitalares, escolas, corredores humanitários, tendas de deslocados internos, filas de distribuição de alimentos, jornalistas, médicos, trabalhadores humanitários, crianças. Através das […]

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Bolo de flocão de milho: aprenda a preparar a receita sem glúten e sem lactose


Sem glúten e sem lactose: aprenda a preparar bolo de flocão de milho
A cozinheira Ione Boita, de Cascavel, no oeste do Paraná, ensina ao Caminhos do Campo um bolo de flocão de milho que serve como opção para quem tem restrições alimentares. Além de não ter glúten e nem lactose, também é possível substituir o açúcar por adoçante.
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📖 Ingredientes
1 lata de milho (sem a água);
1 lata de leite de coco (usar a medida da lata de milho);
1/3 lata de óleo (usar a medida da lata de milho);
1 lata de flocão de milho (usar a medida da lata de milho);
3 colheres de coco ralado;
3 ovos;
1 colher de fermento em pó;
¾ da lata de açúcar, mascavo ou demerara, ou adoçante (usar a medida da lata de milho).
Sem glúten e sem lactose: aprenda a preparar bolo de flocão de milho.
Caminhos do Campo/RPC
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🥣 Modo de preparo:
Comece acrescentando no liquidificador os líquidos: óleo, ovos, milho, leite de coco.
Em seguida, adicione adoçante, flocão e coco ralado. Bata.
Acrescente o fermento em pó e misture com uma colher.
Unte a forma do jeito que preferir (a Ione utiliza apenas óleo de coco) e adicione a massa.
Pré-aqueça o forno entre 180 e 200º.
Deixe assando por 35 a 40 minutos. O tempo pode variar de acordo com o forno. Teste o ponto da massa espetando um palito.
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Ponte Metálica será interditada por 30 dias a partir de segunda-feira (1); veja alternativas


Interdição na Ponte Metálica: STRANS explica as rotas alternativas para os motoristas
A Ponte Metálica João Luís Ferreira, que liga Timon, no Maranhão, a Teresina, será interditada a partir desta segunda-feira (1). A intervenção ocorre devido a serviços de manutenção na estrutura da via e deve durar 30 dias nesta fase.
Segundo a Superintendência de Transportes e Trânsito (Strans) de Teresina, o tráfego sobre a ponte ficará totalmente bloqueado para veículos, sendo permitido apenas o fluxo de pedestres e ciclistas. Cerca de 60 a 70 mil veículos utilizam o acesso diariamente, segundo dados informados pela Secretaria de Trânsito, Transportes e Mobilidade de Timon.
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“A Ponte Metálica será bloqueada nos dois sentidos. Essa ação envolverá agentes de trânsito tanto do Maranhão como de Teresina. Precisamos fazer o trabalho que foi planejado dos dois lados para minimizar os impactos que o bloqueio causará”, afirma Jaime Oliveira, diretor de operação e fiscalização da Strans.
Leia também: Ponte Metálica: de cartão-postal tombado à necessidade urgente de manutenção; 85 anos da obra que ligou PI e MA
A Strans reforça que agentes de trânsito estarão presentes em pontos estratégicos para orientar motoristas. A secretaria divulgou orientações em duas fases para guiar os motoristas nos horários de pico. Confira abaixo:
Orientações das 6h às 9h:
Quem trafega pela Avenida Maranhão não poderá acessar a Avenida Joaquim Ribeiro no sentido Norte/Leste pela rotatória, pois este retorno estará bloqueado. O acesso deve ser feito pela própria Av. Maranhão até o retorno mais próximo, na Avenida Nações Unidas.
Já os condutores que circulam pela Avenida Pedro Freitas não poderão seguir em linha reta no sentido Sul/Norte, e precisarão efetuar a conversão a partir do balão da Av. Nações Unidas.
Orientações das 16h às 19h:
O acesso à ponte pelo lado piauiense será permitido apenas para veículos que estejam na faixa da esquerda.
O acesso à Rua Paissandu, para quem vem da Av. Maranhão, ficará interditado. A rota alternativa para este caso será a Avenida José dos Santos e Silva.
Quem segue com destino à Timon deverá se manter na faixa da direita.
Necessidade urgente de reparos
Uma inspeção do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí, iniciada no dia 2 de janeiro e finalizada em 18 de fevereiro, identificou a necessidade de uma manutenção urgente em um dos pilares de sustentação e em um dos elementos de ligação da ponte.
A concessionária de serviços de transporte ferroviário Ferrovia Transnordestina Logística S.A. (FTL) é responsável pela via e estará à frente dos trabalhos de restauração da ponte.
CREA-PI recomenda manutenção urgente na Ponte Metálica, que liga Teresina a Timon.
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Polícia investiga novas denúncias de assédio e manipulação psicológica contra ex-sócio de academia no Rio


Panfleto de canal de denúncias da academia DNA, na Barra da Tijuca
g1 Rio
A 16ª DP (Barra da Tijuca) recebeu novas denúncias contra Nicolay Andrade Faria Ribeiro, ex-sócio da academia DNA, no inquérito que apura acusações de assédio sexual e moral. Ex-funcionárias e ex-alunas relatam ainda terem sido alvo de perseguição quando não atendiam às vontades dele.
Uma das denunciantes descreveu Nicolay como “controlador, abusivo e tóxico”.
“O assédio não acontecia somente de forma explícita nas conversas por WhatsApp, onde ele deixava claro seus desejos, mandava mensagens com informações supostamente ‘privilegiadas’. disse Yasmin Romana.
Entre os relatos feitos à polícia, estão:
Insinuações e convites para sair com funcionárias;
Solicitação de fotos íntimas ou em trajes sensuais
Toques, elogios inapropriados, manipulações e promessas de ascensão profissional caso as vítimas obedecessem às vontades de Nicolay
Situações explícitas de humilhação, perseguição e coerção psicológica e emocional
Yasmin relatou ainda que teve que tirar fotos em sessões onde Nicolay escolhia todos os detalhes. Ela diz ainda que nunca pôde ficar com as fotos. “Fotos com roupas, poses, estilos, biquínis e cenários que ele cuidadosamente escolhia, uma a uma”.
“Recebi áudios dele perguntando como era a textura da minha boca, se era ‘dura ou mole’, afirmou Hanna Fonseca. “Já recebi prints com zoom em fotos minhas, questionando minhas tatuagens e perguntando se eu tinha alguma “escondida”, contou.
Segundo outra funcionária, o ex-dono da academia pedia fotos e vídeos de partes do corpo dela e de outras funcionárias.
“Nos convidava para sair, frequentar o novo apartamento dele, tentava marcar as reuniões fora do ambiente de trabalho, se insinuava e quando ia na sala dele falar de trabalho ele arrumava uma maneira de falar sobre sexo comigo”, relatou Yuan Jiamin, que trabalhou diretamente como secretária de Nicolay no período que a academia era no Grajaú.
A defesa das vítimas, a advogada criminalista Marcelly Reis, afirma que os crimes noticiados envolvem a prática de assédio sexual, perseguição e violência psicológica contra mais de dez meninas, evidenciando a gravidade e a recorrência dos atos.
Procurado, o delegado titular, Neilson Nogueira, afirmou que as autoras das denúncias serão intimadas, priorizando as que moram no Rio de Janeiro. Depois disso, Nicolay será ouvido na delegacia.
Em um termo aberto na 16ª DP, que foi transferido para outra delegacia da Zona Oeste, Nicolay afirma que foi alvo de difamação por uma influenciadora, e que várias mulheres combinaram acusações contra ele, sem ter provas do que alegam.
Procurado pelo g1, Nicolay não respondeu às tentativas de contato até a publicação desta reportagem.
Humilhações e manipulação psicológica
Academia DNA Experience, na Barra da Tijuca
g1 Rio
Além de conversas inapropriadas e situações de assédio sexual, os relatos enviados ao g1 citam momentos de humilhação e manipulação por parte de Nicolay nas unidades do Grajaú, na Zona Norte do Rio, e também na Barra da Tijuca.
“No Grajau já fui obrigada a trabalhar com Covid e em condições absurdas sob pressão psicológica. Eu e muitas outras pessoas da equipe éramos constantemente humilhadas e tratadas com xingamentos e ameaças quando não atendíamos as exigências do Nico”, afirmou Yuan.
Uma delas relatou que foi convencida por Nicolay a se matricular em uma faculdade particular para continuar trabalhando na DNA. Os custos da faculdade seriam pagos por ele, o que segundo as denúncias era uma prática comum de “Nico”, como é conhecido.
“Fui manipulada a ponto de desistir da minha vaga em uma universidade pública […] Ele me convenceu de que pagaria uma faculdade particular online para mim, assim eu poderia continuar no estágio. Disse que, se eu não cancelasse minha matrícula na universidade pública, eu não poderia continuar na DNA”, relatou Ana Lígia Sangaletti.
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Vídeo mostra júri de empresário condenado por matar esposa com 25 facadas dizendo que cometeu crime após ser chamado de ‘corno’


Empresário diz que não é pessoa má após matar esposa com 25 facadas
O empresário Dadie Barbosa Alves, condenado por matar a esposa com 25 facadas no ano passado, alegou em sua defesa que atacou Carla de Oliveira Vieira após, segundo ele, ter tido um “surto” quando ela, supostamente, o chamou de “corno” e “chifrudo”.
O g1 teve acesso ao interrogatório do réu no julgamento, que foi gravado pela Justiça na semana passada no Fórum de Santana de Parnaíba, Grande São Paulo, mesma cidade em que ocorreu o crime (veja vídeo acima).
Em 20 de agosto, Dadie recebeu pena de 29 anos, oito meses e 17 dias de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil (ciúmes), recurso que dificultou a defesa da vítima (usou uma faca) e feminicídio (assassinato cometido contra a mulher no contexto de violência doméstica).
“O denunciado, movido pelo ciúmes em razão de uma suposta traição da vítima, desferiu nela diversos golpes de faca até a sua morte. No caso, o réu evidenciou mentalidade possessiva e patriarcal, acreditando que poderia ceifar a vida da vítima em razão da suspeita de uma traição, tornando ainda mais reprovável a conduta homicida”, escreveu a juíza Natália Domingues Takaki, que classificou o réu como frio e calculista na mesma sentença.
Discussão por ciúmes
Dadie e Carla eram casados e moravam em Santana de Parnaíba, Grande São Paulo
Reprodução/Arquivo pessoal
O crime foi cometido em 19 de junho de 2024 no apartamento do casal em Santana de Parnaíba. A filha de 4 anos de Dadie e de Carla não estava no imóvel no momento. O agressor tem 39 anos e era sócio de um restaurante japonês. A vítima estava com 29 anos e fazia faculdade de direito.
Dadie contou aos jurados que matou a esposa após discutirem sobre a traição dela com outro homem, descoberta por ele dois meses antes, e que o casal já havia conversado a respeito.
“Veio para cima de mim, aí já veio me xingando”, disse Dadie no interrogatório ao responder às perguntas das partes envolvidas no processo.
“[Dizendo] que ele [o amante] era melhor que eu, que era mais gostoso que eu, que ele era muito melhor que eu, que eu não era homem para ela e que eu era um velho para ela, que eu era corno e chifrudo mesmo”, falou o réu, que alegou não se lembrar de mais nada depois que atacou Carla. “Aí… me dando um surto, eu perdi a cabeça. Para mim, eu tinha atingido ela com um garfo, eu tava com um garfo na mão.”
Vídeo mostra assassino com faca
Câmeras de segurança do prédio mostram Dadie Alves com uma faca e sendo preso após esfaquear a esposa, Carla Vieira, que foi retirada ferida do elevador pela GCM
Reprodução
Outros vídeos, gravados por câmeras de segurança, foram mostrados aos sete jurados (veja também acima). As imagens mostram que Dadie não segurava um garfo e sim uma faca, em frente ao elevador. Ele tenta esconder a arma sob a camisa.
Segundo a perícia, é a mesma faca de 12 centímetros que ele usou para esfaquear Carla 11 vezes no peito, três vezes na barriga, quatro vezes nas costas, cinco, nas pernas e uma, na mão.
O irmão de Carla, que mora no mesmo imóvel do casal, chegou a segurar Dadie quando ouviu os gritos da vítima. Mas mesmo assim, segundo a acusação, o empresário ainda conseguiu dar três golpes na esposa.
As câmeras do condomínio ainda mostram Dadie sendo contido em flagrante por outros moradores enquanto o corpo de Carla é retirado pela Guarda Civil Municipal (GCM) dentro de um lençol saindo pelo elevador (assista acima).
A maioria do júri, formado por cinco mulheres e dois homens, não acreditou na versão da defesa do acusado, que queria a absolvição de Dadie se valendo da tese de homicídio privilegiado — que aos olhos da lei seria cometer um crime sob forte emoção, o que diminuiria sua culpa e, consequentemente, a pena.
O que dizem defesa, acusação e família
Dadie Alves (com camisa azul) durante seu interrogatório no júri no qual foi condenado por matar a esposa Carla Vieira em Santana de Parnaíba. O advogado dele, Bruno Perecin (à esquerda), pediu a anulação do julgamento
Reprodução
O advogado de Dadie, Renato Perecin, falou ao g1 que recorreu à Justiça pedindo anulação do júri que condenou seu cliente. “O recurso de apelação já foi interposto para tentar um novo julgamento, por ter ocorrido julgamento contrário as provas dos autos e subsidiariamente a redução de pena.”
A acusação foi feita pela promotora Renata Fuga, representante do Ministério Público (MP). “Carla foi mais uma vítima de feminicídio”, afirmou à equipe de reportagem. “Ela foi morta por seu próprio companheiro e pai de sua filha. Por aquele que deveria tê-la amado e protegido.”
“Ele deu no primeiro momento 21 facadas e foi colocado para fora do apartamento pelo irmão dela, desceu as escadas, subiu de elevador, voltou e deu mais quatro facadas na Carla”, disse Ricardo Martins, advogado assistente de acusação, e que foi professor da vítima na faculdade de direito.
Ao lembrar que não vê a filha desde que foi preso, Dadie chorou num dos poucos momentos em que se emocionou no julgamento. A criança está sob a guarda dos avós maternos.
“A família está mais tranquila e em paz diante do julgamento pelo Tribunal do Júri, mas isso não trará a Carla de volta”, falou um dos tios da vítima ao g1.
Filha de Dadie e Carla está sendo cuidada pelos avós maternos após pai matar a mãe por ciúmes
Reprodução/Arquivo pessoal
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Passagens por estupro e tráficos de drogas: quem era o cantor sertanejo executado a tiros em Campo Grande


Cantor sertanejo, Yuri Ramirez.
Reprodução
Iuri Gomes Oliveira Ramires, conhecido artisticamente como Yuri Ramirez, de 47 anos, foi morto com oito tiros na casa onde vivia, no bairro Santa Emília, em Campo Grande (MS), no sábado (30).
Ele havia deixado a prisão menos de um mês antes e cumpria pena em regime domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. Para atender à exigência da Justiça de manter um endereço fixo, residia com uma mulher que o acolhia no imóvel onde foi assassinado.
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Natural de Campo Grande, Ramirez era músico e compositor. Em entrevista concedida à TV Morena, durante um programa exibido em 2024, relatou que iniciou sua carreira musical na adolescência, com influências do rock. Posteriormente, influenciado pelo pai, migrou para o sertanejo, compondo canções baseadas em experiências pessoais.
Em 2020, formou uma dupla sertaneja e se apresentou em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso. Depois, seguiu carreira solo, chegando a dividir o palco com artistas conhecidos nacionalmente, como Maria Cecília e Rodolfo.
Também participou de programas de televisão e afirmou, na mesma entrevista, que escrevia de três a quatro músicas por semana, acumulando cerca de 240 composições inéditas. Entre suas músicas lançadas estão “Boca Errada” e, em outubro de 2024, “Novo Engano”.
Envolvimento com o crime
Apesar da atuação na música, sua trajetória foi marcada por passagens criminais. Ramirez possuía passagens por estupro, tráfico de drogas e armas.
Em 2018, foi preso em Goiânia por uso de documento falso. Segundo a Polícia Civil de Goiás, era integrante de uma facção criminosa e considerado o principal traficante de drogas e armas da Região Noroeste da cidade. Na ocasião, estava foragido da Justiça de Mato Grosso do Sul há cinco meses.
As investigações indicaram que a residência onde vivia servia como ponto de venda de entorpecentes. Ainda de acordo com a polícia, ele teria comercializado cerca de 800 quilos de maconha oriundos do Paraguai e também atuava no contrabando de armas de fogo.
Durante a prisão, apresentou um documento falso em nome de “Alexandre Nunes”. Já havia sido detido anteriormente pela Polícia Federal com 20 quilos de droga, sendo condenado pela Justiça sul-mato-grossense.
O assassinato
De acordo com a Polícia Civil, dois homens armados invadiram o imóvel onde Ramirez estava. Eles se identificaram como policiais ao abordarem a moradora da casa e seguiram em busca da vítima.
O cantor foi encontrado em um dos quartos e atingido por diversos disparos. Ele caiu de bruços e morreu no local. A perícia encontrou 12 cápsulas de pistola na cena do crime.
A motivação do homicídio segue em investigação, assim como a identidade dos autores, que fugiram após o crime. O caso foi registrado como homicídio qualificado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
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Caso Peretto: O que se sabe e o que falta esclarecer um ano após morte de comerciante que descobriu traição


Caso Igor Peretto: entenda o assassinato do comerciante que descobriu traição
O comerciante Igor Peretto foi encontrado morto no apartamento da irmã em Praia Grande, no litoral de São Paulo, há exatamente um ano. O Ministério Público denunciou Rafaela Costa (viúva), Marcelly Peretto (irmã por parte de pai) e Mário Vitorino (cunhado e sócio) por premeditarem e participarem do crime. Os acusados estão presos e aguardam a decisão da Justiça sobre a ida ou não a júri popular.
O caso aconteceu no dia 31 de agosto de 2024 e teve uma série de desdobramentos que repercutiram em todo o país. Por este motivo, o g1 reuniu tudo o que se sabe e o que falta esclarecer. Confira abaixo:
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O que se sabe sobre o caso Peretto?
Vítima descobriu traição
O crime
Participação dos acusados
Fuga e prisão
O que falta esclarecer?
Motivação do crime
Andamento do processo
Vítima descobriu traição
Mario Vitorino, Marcelly Peretto e Rafaela Costa foram presos por envolvimento na morte de Igor Peretto
Polícia Civil
Na madrugada do dia do crime, de acordo com o relatório do setor de investigação da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande, Mário levava o Igor para a casa da mãe dele depois de uma festa, quando apareceu no painel do carro uma ligação do contato “Rafaela Cunhada” (esposa de Igor).
Vídeos mostram momentos antes e depois do assassinato de comerciante
Segundo o depoimento de Mário, o comerciante o obrigou a dirigir até o apartamento de Marcelly, onde estava Rafaela, para confrontar o suposto caso entre eles. Assim que chegaram no apartamento, a viúva não estava mais, e a discussão terminou com a morte de Igor.
À época dos fatos, o advogado da irmã da vítima, Leandro Weissmann, contou ao g1 que Marcelly e Rafaela tiveram um envolvimento amoroso no local do crime antes da chegada de Igor e Mario ao apartamento. O comerciante morreu sem descobrir a segunda traição da esposa.
Volte de onde parou.
O crime
Reconstituição da morte de Igor Peretto foi registrada em história em quadrinhos
Laudo pericial
O crime aconteceu no dia 31 de agosto de 2024. Dentro do apartamento estavam Igor, Marcelly e Mário. Rafaela esteve com a irmã da vítima no imóvel, mas o deixou 13 segundos antes do marido chegar com o acusado pelo assassinato.
De acordo com o laudo necroscópico, obtido pela equipe de reportagem, o comerciante foi morto a facadas e teria ficado tetraplégico [sem movimento do pescoço para baixo] se tivesse sobrevivido aos ferimentos.
A gritaria no apartamento fez três moradores do prédio suspeitarem de um caso de feminicídio e acionarem a Polícia Militar (PM). Os agentes foram atender a ocorrência e encontraram o comerciante morto.
Volte de onde parou.
Participação dos acusados
Câmeras de monitoramento filmaram últimos momentos de Igor Peretto
Reprodução
O Ministério Público concluiu que os acusados premeditaram a morte do comerciante. Eles foram denunciados pelo crime de homicídio com três qualificadoras, sendo elas:
➡️Motivo torpe [fútil]: Igor era um “empecilho no triângulo amoroso”.
➡️Meio cruel: Crime foi praticado com diversos golpes de faca contra o comerciante, causando-lhe intenso sofrimento.
➡️Recurso que dificultou a defesa da vítima: Igor estava desarmado e foi atacado por uma pessoa com quem tinha relacionamento próximo, e de quem não esperava mal.
Conforme relatado na denúncia do MP-SP, Rafaela atraiu o comerciante e, junto com Marcelly, incentivou Mário a matá-lo. A viúva também teria viabilizado a fuga dos comparsas e o esconderijo do amante.
De ‘quanto tempo o corpo começa a feder’ a ‘como privar’ rede social: veja as pesquisas de viúva após assassinato do marido
Volte de onde parou.
Fuga e prisão
Mario, Marcelly e Rafaela continuam presos por decisão da Justiça
Reprodução
Mário e Marcelly fugiram após o assassinato, e se encontraram com Rafaela em um posto na Rodovia Governador Carvalho Pinto, no km 124, em Caçapava (SP), onde a viúva abandonou o carro e embarcou no veículo deles.
O trio seguiu para Campos de Jordão (SP), onde a irmã da vítima decidiu entrar em um carro por aplicativo e retornar para Praia Grande. Mario e Rafaela se hospedaram em um motel em Pindamonhangaba (SP). No mesmo dia, abandonaram o carro dele no Centro da cidade.
As mulheres se entregaram e foram presas em 6 de setembro, enquanto Mário foi detido após ser encontrado escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha (SP), no dia 15 do mesmo mês.
Volte de onde parou.
O que falta esclarecer sobre o caso Peretto?
Qual foi a motivação do crime?
Marcelly participou da briga?
Viúva, irmã e cunhado vão a júri popular?
Qual foi a motivação do crime?
Câmeras de monitoramento filmaram últimos momentos de Igor Peretto
Reprodução
Além do “empecilho no triângulo amoroso”, a denúncia do MP-SP apontou que a morte de Igor traria “vantagem financeira” aos acusados. Mário poderia assumir a liderança da loja de motos que tinha em sociedade com o cunhado, enquanto a viúva receberia a herança. “Marcelly, que se relacionava com os dois beneficiários diretos, igualmente teria os benefícios financeiros”, destacou a promotoria.
O MP-SP ainda considerou a ação do trio um “plano mortal” contra Igor, mas os advogados dos presos negaram a versão apresentada.
Volte de onde parou.
Marcelly participou da briga?
Mario Vitorino abraça Marcelly Peretto (à esq.) após assassinato do irmão dela; faca usada no crime (à dir.)
Reprodução
De acordo com o relatório da investigação, as informações sobre Marcelly ter saído da cena do crime com unhas quebradas e roupas manchadas de sangue não é compatível com a descrição de que ela teria ficado no quarto enquanto o irmão era esfaqueado pelo cunhado.
Ainda segundo a Polícia Civil, as contradições no depoimento de Marcelly põem em dúvida até que ponto ela estaria envolvida na ação que culminou na morte de Igor, bem como na omissão de socorro. O advogado dela negou a participação da cliente no homicídio.
Volte de onde parou.
Viúva, irmã e cunhado vão a júri popular?
Trio acusado de envolvimento na morte de Igor Peretto chega a fórum para audiência
A primeira audiência de instrução ocorreu em 20 de março, quando as partes começaram a apresentar as provas e argumentos para o andamento do processo. A sessão no fórum precisou ser retomada em 7 de maio e, pela quantidade de testemunhas, foi marcado um novo encontro para 16 de junho.
Após os interrogatórios, o juiz deu um prazo para que as defesas apresentassem pedidos complementares, conhecidos como diligências, até 18 de junho. Em seguida, o Ministério Público e os assistentes da acusação foram intimados a apresentar as alegações finais.
Após essa etapa, as defesas teriam que apresentar as alegações finais para o juiz decidir se os acusados irão a júri popular ou se o processo será encerrado para algum deles.
Volte de onde parou.
O que dizem as defesas após um ano?
Marcelly (irmã por parte de pai)
Rafaela (viúva)
Mário (cunhado e sócio)
Família de Igor
Marcelly (irmã por parte de pai)
Marcelly Peretto (à dir.) e Ifor
Reprodução/Redes Sociais
O advogado dela, Leandro Weissmann, afirmou que apresentou as alegações finais. “A prisão é ilegal e imotivada. Marcelly não contribuiu de qualquer forma para a morte do seu irmão Igor, seja em planejamento ou efetiva ação”, destacou o profissional.
Weissmann ressaltou que lida com provas, acrescentando que especulações de redes sociais, de familiares ou pessoas envolvidas pela emoção não refletem a verdade do processo. “A defesa de Marcelly espera serenamente a impronúncia [decisão para não levar a cliente a júri popular]”, finalizou.
Rafaela (viúva)
Rafaela Costa e Igor Peretto (à esq). Viúva chegando na DIG em Praia Grande (SP) (à dir.).
Reprodução/Redes Sociais e Matheus Croce/TV Tribuna
O advogado Yuri Cruz também apresentou as alegações finais e explicou que as provas demonstraram que Rafaela não participou, incentivou, planejou ou desejou a morte de Igor. O profissional afirmou que os depoimentos dos policiais civis comprovaram a inocência da cliente com relação ao crime de homicídio.
“Condutas eventualmente passíveis de críticas no plano moral não se confundem com responsabilidade penal, a qual somente pode ser reconhecida diante de provas concretas colhidas sob o manto da legalidade, o que inexiste no presente caso com relação à Rafaela”, disse o advogado.
Cruz destacou confiar que o Poder Judiciário resistirá as pressões externas e aos julgamentos fomentados nas redes sociais, decidindo pela impronúncia da viúva.
Mário (cunhado e sócio) e família de Igor
O g1 entrou em contato com a defesa de Mário, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Família de Igor
O assistente de acusação Felipe Pires de Campos disse acreditar que os fatos descritos na denúncia foram amplamente comprovados durante a instrução penal. “Infelizmente diversas inverdades foram criadas com o único intuito de desviar da verdade do que aconteceu, a trágica e cruel morte de Igor Peretto”.
De acordo com o advogado, não há como negar a participação de cada um dos três réus, seja na premeditação, na execução ou após a morte, com a fuga do local do crime e ocultação de provas.
“A família e a sociedade aguardam e acreditam em uma resposta firme da Justiça, que se aproxima, com a pronúncia dos três réus”, disse Felipe.
VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
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Criança autista de 9 anos é agredida após defender o irmão mais velho vítima de bullying no litoral de SP


Menino autista foi agredido perto de escola após defender o irmão que estava sendo vítima de bullying em Praia Grande, SP
Arquivo Pessoal
Um menino de 9 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi agredido por estudantes próximo à Escola Municipal Professora Maria Clotilde Lopes Comitre Rigo, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Conforme apurado pelo g1, a vítima sofreu as agressões após defender o irmão mais velho, de 11, que estava sendo vítima de bullying por causa do peso.
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande, por meio da Secretaria de Educação, informou que tomou ciência dos fatos pela equipe da escola, e que a ocorrência aconteceu antes da entrada da criança na unidade escolar (leia o posicionamento completo abaixo).
O menino agredido fisicamente é aluno do 4° ano da unidade. A mãe das vítimas, a auxiliar de produção Pamela Aparecida, disse que o filho de 9 anos estava chegando à escola, acompanhado do irmão mais velho e de outro mais novo.
Foi quando começou o bullying e houve a reação da criança autista. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), enquanto a vítima apanhava, na última sexta-feira (22), o irmão mais novo correu para pedir ajuda, e o mais velho, alvo das ofensas pelo peso, foi ameaçado para não interferir.
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Uma mulher, que passava pelo local para buscar a filha na mesma escola, interveio, conseguiu retirar os irmãos da confusão e os levou até o trabalho de Pamela, que foi informada sobre o ocorrido. Na sequência, a mãe levou o filho à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Samambaia.
Pamela contou ao g1 que o filho relatou que mais de 20 estudantes fizeram uma roda ao redor dele e do irmão e o agrediram. Ela disse que o filho não ficou com hematomas, mas precisou de atendimento médico devido às dores e ao abalo emocional.
“Ela [mãe que socorreu] viu que poderia acontecer algo pior. Graças a Deus ela se meteu porque, inclusive, um dos garotos pegou um bloco [de concreto] para tacar na cabeça do meu filho e disse que ia derramar o sangue do meu filho”, disse Pamela.
A mãe dos garotos contou que, inicialmente, a escola não ofereceu ajuda, mas ao perceber que Pamela não se calaria, resolveu se manifestar. “[É um] trauma muito grande, tanto psicológico quanto emocional para meus filhos e para mim também. Me sinto de mãos atadas, vejo que não tem acontecido só comigo.”
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como lesão corporal pelo 3° Distrito Policial da cidade, que realiza diligências para esclarecer os fatos e identificar os autores.
Menino autista foi agredido perto de escola após defender o irmão que estava sendo vítima de bullying em Praia Grande, SP
Arquivo Pessoal
O que diz a prefeitura
A Prefeitura de Praia Grande afirmou que, diferente do alegado, a responsável foi devidamente atendida na escola e os fatos foram apurados junto aos alunos envolvidos, que foram identificados pela própria vítima. A equipe gestora comunicou à responsável as providências que seriam adotadas.
Segundo a administração municipal, o relatório foi enviado ao Conselho Tutelar, os alunos envolvidos foram encaminhados a serviços públicos de apoio, e o Conselho de Escola foi acionado para analisar possível infração às normas de convivência da unidade.
A prefeitura reforçou que as escolas municipais desenvolvem ações educacionais em razão do Protocolo Antibullying, sendo o tema amplamente discutido com alunos e comunidade.
Podcast debate o bullying
A presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seção Santos, Simone Caetano Fernandes, participou do podcast Baixada em Pauta e falou sobre o combate ao bullying nas escolas, reforçando a importância do papel da família no processo de reconhecimento, amparo e educação dos estudantes.
O tema é um debate que se tornou recorrente no dia a dia do país e da região, principalmente após o caso do menino Carlinhos, um adolescente de 13 anos que morreu após ser agredido pelas costas por dois estudantes em uma escola de Praia Grande em abril do ano passado.
Baixada em Pauta aborda o bullying com representante da OAB-Santos
O bullying é definido pela Lei 14.811/24 como ato de intimidar, mediante violência física ou psicológica, de modo intencional, repetitivo e sem motivação evidente. Segundo a advogada, a prática pode ser relacionada à dinâmica familiar dos alunos que praticam a agressão.
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Vídeo mostra apartamento de sargento da PM que desapareceu e deixou caderno com anotação enigmática


Vídeo mostra apartamento deixado aberto por sargento aposentado da PM que sumiu
Familiares do sargento aposentado da Polícia Militar, Emerson Lorençato Lopes, de 51 anos, que está desaparecido há mais de um mês em Praia Grande, no litoral de São Paulo, gravaram um vídeo mostrando como estava o apartamento onde ele vivia. Nas imagens, o imóvel aparece arrumado, com alimentos nos armários e panelas sobre o fogão (assista acima).
Conforme apurado pelo g1, Emerson deixou a porta do apartamento destrancada, com a chave na fechadura pelo lado de dentro, além de um caderno com anotações de telefones sobre a cama. A Polícia Civil investiga o caso.
Um boletim de ocorrência foi registrado pela família no dia 21 de julho. A irmã dele, Elen Valeria Lorençato, disse à equipe de reportagem que o sargento chegou a visualizar uma mensagem no WhatsApp quatro dias depois, mas não respondeu às ligações nem interagiu com novos contatos.
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No vídeo gravado pelos familiares, é possível ver roupas penduradas no varal e objetos pessoais do sargento no imóvel, como óculos de sol, chinelo, relógio de pulso e dinheiro sobre uma mesa com pão de forma, leite e duas bandejas de ovos.
Desaparecimento
Elen contou que percebeu o desaparecimento do irmão após receber uma ligação de uma corretora de imóveis, também no dia 21, informando que ele não havia pago o aluguel. Ela foi até o imóvel, localizado na Avenida Marechal Mallet, no bairro Canto do Forte, e encontrou a residência destrancada, com a chave na fechadura pelo lado de dentro.
Segundo Elen, a cama estava desarrumada, mas o restante do apartamento permanecia em ordem. O carro de Emerson estava na garagem do edifício. Ela afirmou que ele nunca havia desaparecido antes e não fez nenhuma publicação recente nas redes sociais.
Familiares de sargento aposentado que desapareceu há mais de 30 dias, em Praia Grande, registraram situação do apartamento dele encontrado aberto
Arquivo Pessoal
Dentro do imóvel, Elen também encontrou um caderno com anotações. Em uma das páginas, obtida pelo g1, estava o nome de outra irmã escrito em letras maiores, além de três registros de um número 0800 com a anotação “bom acordo”.
A mulher relatou o desaparecimento do irmão em um batalhão da PM e, em seguida, registrou o boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ) da cidade.
Polícia investiga o caso
Sargento aposentado da PM, Emerson Lorençato Lopes, de 51 anos, está desaparecido há mais de 30 dias em Praia Grande, SP
Arquivo Pessoal
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado pela Central de Polícia Judiciária de Praia Grande, que realiza diligências para localizar o homem e esclarecer os fatos.
Ainda segundo a SSP-SP, os detalhes da ocorrência serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.
Caderno com anotações de telefones foi encontrado em cima da cama de sargento que desapareceu há mais de 30 dias, em Praia Grande (SP)
Arquivo Pessoal
Entenda: quando registrar um BO sobre desaparecimento?
É preciso esperar 24 horas para registrar um boletim de ocorrência de desaparecimento?
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Há um cartel de drogas liderado por Maduro na Venezuela, como afirma o governo Trump? Pesquisador diz que não é bem assim


EUA divulgam imagens de embarcações enviadas para a costa da Venezuela
Ao mesmo tempo em que os EUA estacionam uma frota de guerra de última geração e 4.000 militares perto da costa da Venezuela, o governo Trump reitera as acusações de narcoterrorismo contra o presidente do país, Nicolás Maduro.
Para Washington, Maduro é o chefe de uma organização criminosa chamada “Cartel de los Soles”, um poderoso grupo que atua no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA, inclusive para desestabilizar a sociedade do país.
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A Casa Branca colocou o grupo na mira de seu aparato militar ao declarar as organizações de tráfico de drogas a organizações terroristas.
As conclusões do governo americano são contestadas, no entanto, por quem pesquisa o assunto.
Para especialistas, Maduro não seria o cabeça da organização, porque o Cartel de los Soles não é um grupo com uma hierarquia definida, mas uma “rede de redes” que facilita o tráfico de drogas e lucra com ele, composta de membros das mais diversas patentes militares e estratos políticos da Venezuela.
Apesar disso, há indícios de que Maduro, mesmo não sendo o líder, é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele ajudou a instalar no país.
A definição vem do trabalho de Jeremy McDermott, cofundador e codiretor do InSight Crime, uma fundação que estuda o crime organizado nas Américas, já ouvidas por jornais como “The New York Times”, o “The Washington Post” e “The Guardian”.
Para ele, o Cartel de los Soles não é uma organização centralizada como alguns de seus “irmãos” mais famosos, como o Cartel de Sinaloa de “El Chapo” Guzmán ou o Cartel de Medellín, de Pablo Escobar.
Maduro e os chavistas, ele diz, não controlam o tráfico e se beneficiam da compra e venda de cocaína, mas distribuem concessões a militares e aliados, em troca de sua manutenção no poder (leia mais abaixo).
McDermott viveu e trabalhou em Medellín, na Colômbia, por 25 anos, analisando os cartéis de drogas que atuam na região.
Nicolás Maduro durante discurso em 28 de julho de 2025
REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
Nome dado pela imprensa
O pesquisador explica que s origens do esquema vêm de muito antes de Hugo Chávez assumir o poder.
O nome “Cartel de los Soles” não foi dado pelos próprios integrantes, e eles provavelmente se identificam como parte do grupo, nesses termos.
“O nome Cartel de los Soles foi cunhado pela mídia, primeiro para descrever elementos corruptos da Guarda Nacional da Venezuela que estavam envolvidos no tráfico de drogas”, explica McDermott.
Ele foi usado pela primeira vez em 1993, na época dos julgamentos dos generais da divisão antidrogas Ramón Guillén Davila e Orlando Hernández Villegas, acusados de ligações com o tráfico.
O nome (Cartel dos Sóis, em português) vem das insígnias militares usadas pelos generais venezuelanos.
“O termo tem sido usado desde então para descrever todas as atividades de tráfico de drogas enraizadas no Estado e foi usado pelo Departamento de Justiça dos EUA na acusação que incluiu Nicolás Maduro”, completa o pesquisador.
Suas origens, portanto, são anteriores à eleição que marcou a ascensão de Hugo Chávez ao poder no país, em 1999.
O vaivém do deslocamento de navios militares dos EUA para a Venezuela
Cartel e chavismo
Segundo o InSight Crime, alguns fatores levaram à criação de laços entre o tráfico de drogas e o chavismo. Em primeiro lugar, na vizinha Colômbia, as FARC – grupo guerrilheiro de esquerda que usava o tráfico como forma de se financiar – era alvo de uma intensa campanha do então presidente Álvaro Uribe, com apoio militar dos EUA.
Isso levou as FARC a levar parte de suas operações ao outro lado de uma fronteira mal vigiada.
Em 2002, Chávez foi brevemente destituído por um golpe de Estado, rapidamente reconhecido por Washington.
Ele estaria de volta ao poder em menos de 48 horas, mas, depois do episódio, “Chávez procurou angariar apoio entre os militares elevando-os a cargos governamentais influentes ou dando oportunidades de contratos lucrativos, fazendo vista grossa à crescente corrupção militar”, diz o centro de pesquisa.
“Durante a presidência de Chávez, até sua morte, o tráfico de cocaína aumentou e os traficantes colombianos que dominavam o comércio foram cada vez mais substituídos por autoridades venezuelanas que trabalhavam com grupos rebeldes colombianos”, afirma McDermott.
Maduro no poder
A lógica de tolerância à corrupção militar depois que Chávez morreu, em 2013, deixando Nicolás Maduro em seu lugar.
Sem o líder do movimento, e frente a uma crise econômica, Maduro e o chavismo buscaram uma forma de manter os militares a seu lado: uma delas foi tolerar a associação deles com o tráfico. As propinas recebidas também serviram como uma forma de complementar o salário, num momento em que o poder de compra despencava no país.
“Nesse contexto, o Cartel de los Soles evoluiu para um sistema de patrocínio criminoso no qual a cocaína é usada para ajudar a sustentar o governo de Maduro”, diz o InSight Crime.
De acordo com o centro de pesquisas, o governo Maduro tem a capacidade de “premiar” militares leais com a lotação em áreas onde o tráfico fornece mais rendimentos.
O apoio ao tráfico se dá em várias frentes: na proteção de rotas de passagens da droga, eventualmente no transporte da cocaína em veículos oficiais, na cobrança de “pedágios” ou até mesmo providenciando o embarque do produto em portos em aeroportos.
“O tráfico de cocaína aumentou desde que Maduro assumiu o poder em 2013, mas o que realmente mudou foi o sistema de governança criminal híbrida que Maduro instalou para se manter no poder, que fez com que o tráfico de drogas se tornasse cada vez mais controlado e regulado de dentro do regime”, afirma McDermott.
Venezuela reage ao envio de navios militares americanos para região marítima do país
‘Versão de Hollywood’
No entanto, o centro de pesquisa aponta que o governo dos EUA faz uma simplificação e cria uma “versão de Hollywood” ao dizer que Maduro é o chefe do cartel.
Em 2020, durante o primeiro governo Trump, sancionou Maduro sob a alegação de ele ser “um dos líderes e gerentes do Cartel de los Soles”.
“O Cartel de Los Soles buscava não apenas enriquecer seus membros e aumentar seu poder, mas também ‘inundar’ os Estados Unidos com cocaína e infligir os efeitos nocivos e viciantes da droga aos usuários nos Estados Unidos”, dizia o anúncio do Departamento de Estado.
Washington colocou uma recompensa para qualquer informação que ajude a prender Maduro, atualmente reajustada para US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões).
Essa visão é contestada pelo InSight Crime: os membros do grupo têm objetivos muito mais econômicos do que ideológicos, tanto que o tráfico partindo da Venezuela aumentou tanto em direção aos EUA quanto à Europa.
“Hoje, o termo genérico ‘Cartel de los Soles’ mascara o fato de que o eixo Estado-tráfico de drogas é menos uma rede administrada pelos militares e políticos chavistas e mais um sistema que eles regulam”, define o centro.
“As evidências disponíveis sugerem que o regime de Maduro mantém o controle desse sistema em âmbito nacional não por meio da intermediação de negócios de cocaína, mas alocando e distribuindo concessões, nomeações eleitorais e garantindo proteção.”
Após declarar o cartel como uma organização terrorista, o governo Trump mobilizou um arsenal militar no Mar do Sul do Caribe, perto da costa venezuelana, incluindo navios capazes de lançar mísseis teleguiados a centenas de quilômetros de distância.
Especialistas contestam a capacidade dos militares americanos em lutar contra o tráfico com armas de guerra.
A conclusão é compartilhada por McDermott. Para ele, isso não vai impedir a chegada da droga nos EUA: “Tudo o que a mobilização naval fará é dificultar o tráfico marítimo via Venezuela, levando o comércio para outros pontos de partida na América do Sul”.