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Erros da esquerda, economia em baixa e alta do discurso liberal: o que fez a direita voltar ao poder na Bolívia após 20 anos


Como a direita chegou ao poder na Bolívia após 20 anos
A Bolívia terá pela primeira vez em 20 anos um presidente de direita, após uma série de governos de esquerda. O segundo turno acontece em 19 de outubro.
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Mas o que explica esse fenômeno?
No primeiro turno, que aconteceu em 17 de agosto, Rodrigo Paz Pereira (PDC), considerado centro-direita, terminou com 32% dos votos, seguido por Jorge “Tuto” Quiroga (Libre), mais ligado à direita conservadora, com 26%. Os dados são da OEP, o órgão eleitoral oficial da Bolívia.
Entre os partidos de esquerda, o Movimento ao Socialismo (MAS), partido histórico de Evo Morales e do atual presidente Luis Arce, conseguiu apenas 3% dos votos com Eduardo del Castillo, enquanto o candidato esquerdista mais votado, Andrónico Rodríguez, obteve 8%.
Entenda a seguir em 5 pontos quais são os principais fatores que levaram a direita de volta ao poder no país.
1. Desgaste de Evo Morales
Evo Morales
REUTERS/Agustin Marcarian
Líder sindical dos produtores de folha de coca, um cultivo tradicional da região, e primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales chegou ao poder em 2006 pelo partido MAS, prometendo dar voz às minorias historicamente marginalizadas. Sua vitória foi histórica: depois de anos de instabilidade política e governos conservadores, a esquerda assumia o comando do país.
Nos primeiros anos, Morales levou adiante políticas de nacionalização do gás e de distribuição de renda, que coincidiram com o boom das commodities. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia boliviana cresceu em média 5% ao ano entre 2006 e 2015, o que permitiu uma redução significativa da pobreza e consolidou imagem de Evo como líder popular.
A boa fase da economia ajudou a manter Morales no poder. Ele foi reeleito em 2009 e em 2014, após mudanças na Constituição que facilitaram a reeleição. Em 2016, porém, sofreu sua primeira grande derrota: perdeu um referendo que poderia permitir candidaturas sem limite de mandatos.
Mesmo assim, ele conseguiu autorização da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia para disputar as eleições de 2019 — decisão que gerou críticas de que as instituições estavam agindo a favor do governo.
As eleições de outubro de 2019 mudaram o rumo da política boliviana. No dia 20, durante a apuração, o Tribunal Eleitoral interrompeu a contagem de votos sem dar explicações, quando mais de 80% das urnas já tinham sido apuradas.
Até aquele momento, a tendência era de que Morales disputasse o segundo turno contra o opositor Carlos Mesa. Mas no dia seguinte, quando a contagem foi retomada, o resultado apontou vitória de Evo já no primeiro turno, o que evitava o confronto direto com a oposição.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), formada por todos os países independentes da América (como Brasil, Estados Unidos e Argentina), questionou na época a transparência do processo e identificou indícios de fraude, como cédulas alteradas e assinaturas suspeitas.
Nesse contexto, as ruas logo foram tomadas por protestos e a oposição passou a acusar Evo Morales de ter manipulado o resultado das eleições. Com o aumento da pressão, ele começou a perder apoio político. Na época, a polícia se negou a reprimir as manifestações e, pouco depois, as Forças Armadas recomendaram publicamente que o presidente renunciasse para evitar mais conflitos no país.
Isolado, Morales anunciou novas eleições, mas, antes mesmo que elas fossem realizadas, decidiu renunciar e deixar o país.
“Com toda essa tensão política, Evo fugiu primeiro para o México e depois para a Argentina, o que foi o fim de um ciclo de quase 14 anos no poder. Até hoje, os aliados dele dizem que aquilo foi um golpe de Estado, mas os críticos afirmam que a queda veio do desgaste político e da tentativa de se manter indefinidamente no cargo”, explica Paulo Velasco, professor de política internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
2. Economia em baixa
Crise na Bolívia levou à escassez de combustível; na foto, caminhões aguardam em fila para abastecer em Viacha, perto de La Paz em 2025
Jorge Mateo Romay Salinas/Anadolu via Getty Images/BBC
Além da tensão política, a economia também foi um fator crucial para o desgaste de Morales, do MAS e da esquerda como um todo.
O primeiro governo de Evo Morales, iniciado em 2006, coincidiu com um momento de forte crescimento econômico na América Latina. Foi o período do chamado “boom das commodities”, quando a China aumentou a demanda por matérias-primas e impulsionou preços de gás, petróleo e minérios.
Nesse período, Morales nacionalizou o setor de petróleo e gás, obrigou multinacionais a renegociar contratos e destinou parte dos novos recursos para políticas sociais e subsídios. “Com isso, a população boliviana viu uma melhora nas condições de vida, e o país passou a ser visto como exemplo de crescimento na América Latina”, informa o professor Paulo Velasco.
A gestão econômica tinha como pilar Luis Arce, então ministro da Economia, que ajudou a estruturar um modelo econômico que combinava nacionalizações com abertura ao setor privado e aumento da renda interna. Esse arranjo garantiu estabilidade e crescimento por quase uma década no país.
Mas a situação começou a mudar a partir de 2014. Com a queda dos preços das commodities no mercado internacional e a desaceleração econômica da China e do Brasil, principais parceiros comerciais da Bolívia, o crescimento do país começou a perder força.
Segundo o analista Paulo Velasco, a conjuntura econômica passou a ser “bem mais adversa” do que nos primeiros anos de Morales. A inflação cresceu, as reservas internacionais caíram e o Estado já não tinha a mesma capacidade de controlar os preços dos alimentos e combustíveis. A população começou a sentir o empobrecimento no dia a dia.
Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM, aponta que o ponto mais crítico foi a crise cambial. A escassez de dólares fez o valor da moeda disparar no mercado, elevando os custos de importados e insumos agrícolas, como fertilizantes. Isso pressionou ainda mais os preços da comida.
“Na véspera do primeiro turno das eleições deste ano, a inflação anualizada era a maior em mais de 30 anos na Bolívia, em torno de 25%. Para um país onde mais de 60% da renda das famílias é dedicada à alimentação, o impacto foi devastador”, explica o professor.
O desgaste corroeu a base de apoio popular do MAS. As camadas mais pobres, que haviam sustentado Morales por tanto tempo, sentiram o peso da inflação e da perda de poder de compra.
3. Morales x Arce: autofagia na esquerda
Antigos aliados, Luis Arce e Evo Morales romperam e disputam liderança do MAS
Ronaldo Schemidt/AFP
Em 2020, depois da saída conturbada de Evo Morales da presidência, quem recebeu seu apoio direto para disputar e vencer as eleições foi Luis Arce, ex-ministro da Economia. No começo, Morales era o padrinho político que dava sustentação ao novo governo.
Porém, com o tempo, a relação entre os dois se desgastou. Arce passou a criticar as tentativas de Morales de interferir em seu mandato. “Arce percebeu que Evo queria continuar mandando dentro do MAS e também no governo, o que gerava atritos. Essa disputa enfraqueceu a unidade do partido e abriu espaço para a divisão da esquerda”, analisa o professor Paulo Velasco.
O rompimento ficou claro no primeiro turno das eleições deste ano. Arce, já impopular, não se candidatou. Pelo MAS, concorreu Eduardo del Castillo, ex-ministro do governo, que obteve apenas 3% dos votos. Morales, por sua vez, pediu aos eleitores que anulassem o voto.
Segundo o professor Leonardo Trevisan, esse movimento mostrou que Morales ainda tem força, já que, nas eleições de 2025, 19% dos eleitores votaram nulo. No entanto, o especialista avalia que foi um “tiro no pé”, porque acabou tirando a esquerda do segundo turno.
“Se somarmos os 19% de votos nulos aos 8% de Andrónico Rodríguez (AP), candidato de esquerda mais votado, o total seria maior que o resultado de ‘Tuto’ Quiroga, que passou ao segundo turno. Em outras palavras, a esquerda se dividiu e perdeu”, ressalta Trevisan.
Ele também aponta que esse cenário deixou claro o afastamento de Evo de seus antigos aliados. “Tanto Arce, que foi seu ministro e depois presidente, quanto Andrónico, que presidiu o Senado, acabaram se distanciando de Morales. Na prática, foi a maior derrota da esquerda em 20 anos”, completa o professor.
4- Guinada à direita na América do Sul
“Virada à direita” na América Latina, com Javier Milei na Argentina e Daniel Noboa no Equador, influencia na volta da direita na Bolívia, dizem analistas
Reuters
Para analistas, dois fatores ajudam a explicar a vitória da direita nas eleições bolivianas de 2025:
De um lado, o resultado faz parte de uma “virada à direita” que vem mudando a política na América Latina, com líderes como Javier Milei na Argentina e Daniel Noboa no Equador.
De outro, um padrão mais específico da Bolívia, onde a cada 20 anos o poder costuma alternar entre esquerda e direita.
O professor Paulo Velasco, da UERJ, lembra que essa alternância é recorrente na história recente do país. “Foi o que aconteceu em 2005, quando Evo Morales venceu pela primeira vez, depois de um longo período de governos de direita já desgastados”, afirma. Segundo ele, a Bolívia vive ciclos bem definidos: um grupo político governa por cerca de duas décadas, até que os eleitores decidem mudar totalmente de direção.
Antes de Morales, os anos 1990 e o início dos anos 2000 foram marcados por instabilidade: presidentes que não conseguiam terminar o mandato, partidos enfraquecidos e crises institucionais. Morales surgiu como resposta a esse cenário e, durante quase 14 anos no poder, consolidou o Movimento ao Socialismo (MAS) como a principal força política da Bolívia.
Agora, depois de um longo período de hegemonia da esquerda, a alternância volta a aparecer. “Quem vai ser testada agora é a direita”, observa Velasco.
Essa mudança também tem relação com o contexto regional. A chamada “onda rosa” — período em que governos de esquerda se fortaleceram em países como Bolívia, Brasil, Venezuela e Argentina nos anos 2000 — perdeu espaço diante de crises econômicas, inflação e insatisfação popular. Esse desgaste abriu caminho para novas lideranças conservadoras em várias partes da América do Sul, movimento que especialistas já chamam de “onda azul”.
“A América Latina tem sido assim nos últimos 10 a 15 anos: há uma oscilação natural entre direita e esquerda. Hoje, é raro um grupo político se reeleger por muito tempo. E isso é saudável, porque mostra pluralismo político e reforça a importância da alternância no poder na região”, conclui Paulo Velasco.
5- Conquista dos eleitores pelo discurso liberal
Rodrigo Paz Pereira e Jorge “Tuto” Quiroga vão disputar o segundo turno na Bolívia no próximo dia 19 de outubro.
Alzar Raldes/AFP
A vitória da direita nas eleições bolivianas de 2025 não se explica apenas pelo desgaste da esquerda. Analistas destacam que o resultado tem a ver com a conquista de eleitores desencantados com o governo e com a crise econômica.
O desencanto com a esquerda abriu espaço para um discurso alternativo: a direita passou a falar em redução de impostos e diminuição do tamanho do Estado. Para Paulo Velasco, esse discurso ajudou a direita a conquistar eleitores que antes se identificavam com o MAS.
De acordo com Velasco, a direita apresentou propostas que chamaram a atenção ao defender mudanças na economia e na posição internacional do país, aproveitando o descontentamento com a gestão do MAS e o fim da chamada “onda rosa” na América Latina. Entre os principais pontos estão a promessa de reduzir impostos, rever a participação da Bolívia em blocos internacionais e criticar a concentração de poder durante os anos de Evo Morales.
Já o professor Leonardo Trevisan destaca que a estratégia foi mostrar que havia espaço para oferecer estabilidade e segurança sem repetir o modelo da direita tradicional. Dentro desse cenário, Paz Pereira e Quiroga se apresentam com perfis distintos.
Jorge “Tuto” Quiroga (Libre), que presidiu a Bolívia entre 2001 e 2002 — após a renúncia de Hugo Banzer, de quem era vice —, defende uma economia mais liberal, com abertura para acordos externos e menor intervenção do Estado.
Rodrigo Paz Pereira (PDC), filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, foca em propostas voltadas para inclusão social e apoio às populações urbanas e rurais mais afetadas pela crise econômica.
Essa diferença de discurso ajudou a direita a alcançar públicos variados: enquanto Quiroga atraiu quem buscava experiência, segurança e estabilidade, Paz conquistou apoio de setores diretamente atingidos pela crise.
“Quiroga aparece como o mais experiente e com maior capacidade política de influenciar o sistema boliviano, apoiado por redes políticas nacionais e internacionais. Paz Pereira, embora menos estruturado politicamente, tenta parecer um outsider e promete uma abordagem mais inclusiva e social, além de manter boa relação com parceiros internacionais, como o Brasil”, conclui o professor Paulo Velasco.
Infográfico mostra o resultado do primeiro turno das eleições de 2025 na Bolívia
Arte/g1
* Sob supervisão de Ricardo Gallo
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CDL Salvador, Rede Bahia e ESPM anunciam pós-graduação para comércio varejista


Rede Bahia, CDL e ESPM anunciam nova pós-graduação em Salvador
Walter Guedes
A CDL Salvador, a Rede Bahia e a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) se uniram para anunciar a chegada do curso de pós-graduação master em Comportamento e Ciências do Consumo em Salvador. As inscrições seguem abertas até 13 de setembro.
As aulas serão na capital baiana, em formato híbrido — online e presencial. A carga horária prevista é de 390 horas, com duração de três semestres (18 meses).
Segundo os organizadores, o projeto é uma oportunidade inédita para empresários, executivos e profissionais do comércio se aprofundarem no entendimento do comportamento do consumidor e aplicarem estratégias baseadas em dados e ciência em seus negócios e nichos de atuação.
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“Ao trazer um curso desse nível para Salvador, estamos oferecendo às empresas e profissionais da nossa região acesso a um conteúdo de excelência, que antes só estava disponível nos grandes centros. É um passo importante para fortalecer o varejo e preparar nossos líderes para os desafios do novo mercado”, destaca o professor e coordenador acadêmico regional da ESPM, Diego Oliveira.
Para o presidente da CDL Salvador, Alberto Nunes, a iniciativa também reforça o compromisso da entidade com o desenvolvimento empresarial e com o comércio varejista da capital baiana e região. “Trata-se de um passo importante para fortalecer ainda mais o varejo e preparar os profissionais do setor para o futuro. Afinal, formar líderes mais preparados, capazes de tomar decisões estratégicas e gerar valor para suas empresas e para o varejo como um todo, é o objetivo de todos nós”, defende.
CDL Salvador, Rede Bahia e ESPM lançam nova pós-graduação em Salvador
Walter Guedes
Todas as aulas do curso serão ministradas por especialistas renomados. Entre os conteúdos abordados estão neurociência aplicada ao consumo, análise de dados, comportamento digital, experiência do cliente e estratégias omnichannel, além de estratégias de marketing.
“Diante da presença da Rede Bahia em todo o estado, entendemos que o solo baiano é feito de entidades fortes e o conhecimento é fundamental nesse processo de agregar valor ao que é proporcionado aos baianos e baianas. Estamos muito felizes com mais essa parceria junto à ESPM. Desejo que tenhamos o melhor aproveitamento possível e que possamos colher outros frutos para os profissionais do comércio varejista”, destaca a diretora comercial da Rede Bahia, Juliana Jozzolino.
Rede Bahia, CDL e ESPM anunciam nova pós-graduação em Salvador
Walter Guedes
No último dia 12, a Rede Bahia sediou o evento de lançamento do novo curso, na presença de empresários locais, representantes de diversas instituições e professores. Na ocasião, uma palestra sobre como aplicar princípios da neurociência no comportamento do consumidor foi realizada, tendo em seguida um painel de discussão para interações e perguntas. O objetivo do encontro foi promover aprendizado e networking, proporcionando um ambiente enriquecedor para todos os participantes.
Ex-alunos da ESPM e associados CDL Salvador têm condições especiais de pagamento. As aulas presenciais ocorrerão na sede da Rede Bahia, no bairro da Federação, às sextas-feiras e sábados, alternando com os encontros online. Mais informações estão disponíveis no site da ESPM.
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Gênio da crônica e do humor: veja destaques da trajetória de Luís Fernando Veríssimo


Veríssimo estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, com um quadro de pneumonia
Reprodução Jornal Nacional
Morreu hoje (30) de madrugada, em Porto Alegre, o jornalista e escritor Luís Fernando Veríssimo. Ele tinha 88 anos.
TV. Teatro. Cinema. Uma obra que se espalhou de diversas formas depois de ganhar o Brasil nas páginas dos jornais e livros.
“Para mim é um mistério. Esse sucesso do livro é um mistério. Um fenômeno inexplicável”, disse Luis Fernando Veríssimo em entrevista de arquivo.
Talvez dê para começar a explicar pelo sobrenome. Veríssimo. Luis Fernando, filho de Érico. Um dos maiores nomes da literatura nacional, autor de obras como O Tempo e o Vento, uma influência inquestionável.
“O pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal E eu acho que herdei um pouco isso. Essa informalidade na maneira de escrever”, afirmou Luis Fernando Veríssimo .
Luis Fernando Veríssimo nasceu em Porto Alegre, em 1936. Viveu parte da infância e da adolescência nos Estados Unidos, nos anos 60, trabalhou como tradutor, no Rio, onde se casou com Lucia Helena Massa, o amor da vida toda.
“Isso tudo aconteceu porque a Lúcia era péssima datilógrafa”, contou Veríssimo em entrevista a Pedro Bial em 2019. “Ele resolveu o caso casando, e se livrar da datilógrafa foi melhor negócio”, brincou em resposta Lucia.
De volta à capital gaúcha, a carreira de jornalista começou no Jornal Zero Hora,
“Eu demorei muito para começar a escrever né, eu comecei com 30 anos, até então não tinha escrito nada, fora umas traduções do inglês para o português. E aí quando comecei a escrever eu já sabia mais ou menos como fazer”, comentou Luis Fernando Veríssimo no programa Conversa com Bial.
O primeiro livro, O Popular, foi lançado em 1973. Ao todo foram mais de 60 publicações. Crônicas, romances, contos e quadrinhos bem-humorados… que fizeram de Veríssimo um dos autores mais lidos do país.
“Não tenho uma vocação humorística, mas consigo eventualmente produzir humor. Mas é uma coisa mais deliberada, mais pensada, do que propriamente espontânea, no meu caso”, disse Veríssimo.
Uma das marcas do humor crítico e sagaz está nas tirinhas que marcaram época. Duas serpentes que debatiam sobre futebol, o sentido da vida e a política.
“Era época da ditadura. Eu comecei a ter um espaço no jornal em 1969, não se podia criticar governo obviamente, militar, não podia falar. Então as cobras foi uma maneira de eu dizer um pouco do que eu gostaria de dizer, mas no texto eu não daria para dizer. Talvez porque cobra e desenho tenha conotação de coisa infantil, coisa lúdica, passava pela censura”, disse Veríssimo à GloboNews Literatura.
Dentre os personagens mais conhecidos, o Analista de Bagé. Um gaúcho com abordagem bruta e técnicas pouco convencionais de tratar os pacientes.
“Nunca pensei que meu personagem fosse virar estátua. Ainda mais na própria cidade de Bagé que eu escolhi como cenário pras atividades dele”.
Na Globo, Veríssimo foi um dos roteiristas da lendária TV Pirata, no fim dos anos 80 e o livro “Comédias da Vida Privada” foi adaptado para uma série.
“Um desafio, porque o humor de televisão, ao contrário do que possa parecer, é mais difícil de fazer que o humor impresso, o humor gráfico, vamos dizer assim”.
Por trás da desenvoltura com o saxofone, uma de suas grandes paixões, se escondia um homem tímido.
“Minha timidez é, por exemplo, tenho horror de fazer isso que tô fazendo agora. Dar entrevista, falar em público e tal. Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e pensar ao mesmo tempo né, são duas coisas que se excluem. Então é nesse sentido é que se manifesta a minha timidez”.
Mas a economia nas palavras não se aplicava às máquinas de escrever e, depois, aos computadores. Os textos de Veríssimo frequentaram os principais veículos impressos do país. No jornal O Globo, foi colunista por 22 anos.
“Essa é uma das vantagens da crônica. Ele [o escritor] pode ser o que quiser escrevendo uma crônica”.
Veríssimo tinha doença de Parkinson e problemas cardíacos. Em 2021, sofreu um acidente vascular cerebral, que o afastou da escrita. Ele estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, com um quadro de pneumonia.
Veríssimo deixa a mulher, três filhos e dois netos.
Numa das últimas entrevistas, ao programa Conversa com Bial, Veríssimo falou sobre o fim da vida, com a mesma leveza que marcou sua obra.
Bial: “Você pensa em posteridade?”
Veríssimo: “O que vier depois da gente?”
Bial: “Como você vai ficar?”
Veríssimo: “Eu sempre digo que a morte é a última coisa que eu quero que me aconteça (risos)”.
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Final de semana em Barretos tem shows e premiação de R$ 380 mil para peão vencedor


Peão em competição em Barretos
Reprodução Jornal Nacional
No interior de São Paulo, a edição de 70 anos da Festa do Peão de Barretos está no último fim de semana.
São apenas oito segundos, mas cada um deles parece uma eternidade. Este ano, 35 competidores sonham em ser o grande campeão de Barretos. O mexicano Luís Porto é um dos estrangeiros no rodeio internacional. Ele não conhecia o Brasil e diz estar emocionado com a grandeza da festa: “Para mim sempre foi um sonho vir aqui nesta arena”, contou.
A grande final acontece amanhã (31). Os prêmios passam de R$ 380 mil.
O espaço em que os peões ficam concentrados antes e depois das montarias, é onde eles ajustam equipamentos, terminam de traçam as últimas estratégias das provas e reservam ainda um momento para a fé, tão importante no meio sertanejo.
“É a mesma coisa de um jogador estar jogando num grande time, num grande estádio. É o sonho de qualquer um estar aqui, na maior arena da américa latina”, relata o peão Vinicius Almeida De Oliveira.
A estimativa da Secretaria Estadual de Turismo é que, durante 11 dias, a Festa do Peão de Boiadeiros de Barretos movimente mais de R$ 1 bilhão e gere 10 mil empregos. É o resultado da passagem de quase um milhão de visitantes, mais de oito vezes a população da cidade.
Para não perder nada, parte do público fica na área de camping, dentro do Parque do Peão que tem capacidade para 20 mil pessoas.
“É uma alegria muito grande, é satisfatório. Fala comigo, fala com o coração. Eu venho aqui, eu me encontro. É bom demais”, relatou o empresário e visitante Éder Fernandes.
Para embalar essa multidão, shows de mais de 100 artistas, como Zezé Di Camargo & Luciano, Ana Castela e Chitãozinho & Xororó. “Eu já assisti mais de 30, 40 shows deles, cada emoção, cada show é diferente”, relatou o administrador de empresas e fã da dupla Marcos Nicola.
A dupla Edson & Hudson se apresenta essa noite (30) e preparou um especial para celebrar os 70 anos do evento: “Energia diferente. Energia boa, positiva, de amor, de respeito ao próximo. Então a gente sente muito isso aqui em Barretos”, explicou Edson.
“Eu já venho há quatro anos e cada ano a emoção é diferente, como se eu tivesse vindo a primeira vez. Já estou com saudade, já estou programando, ano que vem estaremos aqui novamente”, conta a empresária Lucimara Chaves.
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Cozinha afetiva, chefs internacionais e receitas tradicionais atraem visitantes e prometem experiências únicas em festival gastronômico


Cozinha afetiva, chefs internacionais e receitas tradicionais atraem visitantes e prometem experiências únicas em festival de comida mineira
Reprodução/TV Globo
O festival Tiradentes está celebrando uma das maiores riquezas de Minas Gerais.
Barriga de porco, purê de banana e farofa de castanha assada. Tudo bem mineiro. Mas com aquele toque de alta gastronomia.
“Toda base da cozinha da gente, é uma cozinha afetiva, é uma cozinha compartilhada, onde o mineiro recebe na cozinha”, comenta o chef de cozinha Higor Braga.
Já os chefs Rafael Pires e Renato Martins, do Rio de Janeiro trouxeram o sabor do mar para Minas: arroz caldoso de frutos do mar.
“Sensacional. Muito bom. Uma delicia. Não dá nem para dar entrevista. Agora vou só comer. Beijo”, brinca a engenheira, Gabriela Custódio.
O Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes é essa mistura saborosa de simplicidade e inovação. Ingredientes que ganharam o estômago e o coração do chef português Vitor Matos.
“Eu não sei se me sinto no Brasil ou se me sinto em Portugal porque aqui há uma ligação muito forte a Portugal”, afirma o chef de cozinha Vitor Matos.
O tema deste ano é mineiridade em movimento.
“Tudo acontece em volta da cozinha mineira. A culinária mineira ela celebra, ela traz arte dança, traz cultura, ela traz tudo”, diz Guilherme Sanzio, diretor de produção do festival.
Cozinha afetiva, chefs internacionais e receitas tradicionais atraem visitantes e prometem experiências únicas em festival de comida mineira
Reprodução/TV Globo
Além dos estandes nas praças, dos jantares especiais nos restaurantes, tem shows, degustação e oficinas. Os visitantes podem, não só acompanhar, como também ajudar no preparo dos pratos.
Na praça principal dá para ver de pertinho como se faz, por exemplo, uma feijoada com a chef eleita a melhor do mundo. E de graça.
“São novos olhares através da cozinha popular brasileira e a cozinha brasileira como sendo um orgulho nacional”, diz Janaina Torres, chef de cozinha.
A cidade histórica de Tiradentes deve receber mais de 70 mil pessoas, até este domingo (31). Como as irmãs Claudia e Cátia que foram de Pernambuco, só para conhecer a gastronomia mineira.
“A comida mineira, o tempero é muito gostoso. É um tempero diferente do nosso, então assim, vale a pena”, diz Claudia Lucia do Espirito Santo, assistente social.
Cozinha afetiva, chefs internacionais e receitas tradicionais atraem visitantes e prometem experiências únicas em festival de comida mineira
Reprodução/TV Globo