Economia

Rússia volta a exigir libertação de Maduro e Cilia Flores

A Rússia defendeu, mais uma vez, neste domingo (25/01), a libertação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos após um ataque contra Caracas em 3 de janeiro. Em entrevista a agências de notícias russa TASS, o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Sergey Ryabkov, enfatizou sobre a […]

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Economia

Nova morte em ação anti-imigração aumenta indignação nos EUA

Os tiros que tiraram a vida de uma segunda pessoa em Minneapolis em meio a violentas ações contra imigrantes intensificaram ainda mais a indignação contra o governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Manifestantes e parlamentares democratas da oposição denunciaram a violência como excessiva e criticaram a falta de transparência na investigação. Os pais de […]

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Economia

Ação militar dos EUA para sequestrar Maduro foi arriscada, diz CNN

A emissora norte-americana CNN revelou em uma reportagem que o governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, assumiu “riscos extraordinários” para sequestrar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante o ataque de 3 de janeiro. Com base na análise de mais de 50 vídeos e imagens do ocorrido, a emissora mapeou as rotas de […]

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Economia

‘Desigualdade não é herança infeliz, é processo construído e em plena expansão’, afirma Dowbor

Anualmente, a Oxfam aproveita a proximidade do Fórum Econômico Mundial – evento que reúne o PIB mundial em Davos, na Suíça – para divulgar um relatório sobre os índices da desigualdade social que impera no mundo. Nesta semana, por conta do Fórum de Davos, ocorrido entre 19 e 23 de janeiro, a entidade composta por 19 […]

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Economia

Por que a Groenlândia virou peça-chave na geopolítica global e nos planos de Trump

‘Eu quero a Groenlândia’: por que Donald Trump quer ampliar presença americana no Ártico
A Groenlândia, uma ilha marcada por colonização, riquezas minerais e fragilidade econômica, voltou ao centro da disputa geopolítica global após declarações de Donald Trump, que voltou a defender a ideia de comprar o território estratégico no Ártico.
Imagina a compra de um terreno tão distante que parecia impossível alguém se incomodar com ele. Durante séculos, foi assim a vida dos inuítes, povo que vivia aos pés da maior e mais gelada ilha do mundo.
Eles produziam roupas com pele de urso polar e se alimentavam de peixe fresco, recém-pescado. Antigamente, eram chamados de esquimós — termo hoje considerado pejorativo, associado à ideia de povos primitivos e comedores de carne crua.
A história começou a mudar com a chegada dos primeiros vikings, vindos da Islândia. Foram eles que batizaram a ilha de Groenlândia, que significa “terra verde”. Era uma estratégia de marketing: tudo ali é branco, mas a ideia era convencer mais pessoas de que aquela seria uma terra prometida.
Há exatamente um ano, o “Fantástico” enfrentou um inverno rigoroso na capital Nuuk. A cidade foi construída por colonizadores.
Há cerca de 300 anos, um explorador vindo da Dinamarca chegou ao local. No ponto mais alto de Nuuk, uma grande estátua foi erguida em homenagem a ele. A intenção era transformar todos os habitantes da ilha em cristãos. A primeira igreja foi construída e, em seguida, a Groenlândia foi transformada em colônia, sem que a população local fosse consultada.
Os dinamarqueses criaram escolas para ensinar apenas o idioma dinamarquês e, pouco a pouco, foram apagando a tradição inuíte. Também concentravam os lucros da caça à baleia e do comércio de pele de focas, produtos de alto valor no mercado internacional.
Era uma colônia de exploração: pouco investimento e muito ganho.
Hoje, a Groenlândia faz planos para se tornar independente. Mas conquistar autonomia é difícil sem recursos financeiros para se sustentar.
Grande parte do dinheiro que circula no território vem de ajuda externa, que também garante educação e sistema de saúde gratuitos, em um país que enfrenta altos índices de alcoolismo e suicídio.
Pelas lentes de Donald Trump, trata-se de uma terra esquecida, marcada por feridas da colonização, mas que esconde uma mina subexplorada.
Sob a espessa camada de gelo da Groenlândia, existem minerais que serão cada vez mais necessários para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e armas.
O planeta aquece ali a uma velocidade três vezes maior do que no resto do mundo. Isso tende a mudar o tabuleiro geopolítico global, já que portos da região se tornarão mais estratégicos e o mar do Ártico poderá abrir rotas de navegação inéditas.
Hoje, a China transporta seus produtos por uma rota marítima longa, cara e que passa por mares controlados por adversários. A chamada nova Rota da Seda seria mais curta, passando ao lado da Rússia, grande aliada chinesa.
Mesmo distante cerca de dois mil quilômetros do Ártico, a China constrói mais navios quebra-gelo do que Rússia e Europa juntas. Também é o maior produtor mundial de carros elétricos e turbinas eólicas — o que explica o interesse nos minerais escondidos sob o gelo.
A principal força de defesa dos interesses ocidentais na região é a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar mais poderosa do mundo, formada por 30 países europeus e liderada pelos Estados Unidos.
Um documentário de 2024 mostra o arsenal da Otan no Ártico. Em Keflavik, na Islândia, onde a temperatura varia entre zero e cinco graus, um bunker da Guerra Fria que passou anos abandonado hoje abriga caças F-35, aeronaves de interceptação.
A Islândia é tão pequena que não possui Força Aérea própria. Os F-35 são operados por oficiais de vários países, sob comando norueguês.
“A gente faz policiamento, ou seja, a gente responde a qualquer infração aérea no espaço da Islândia. A gente pode dar uma resposta inicial a algo vindo da Rússia, por exemplo”, diz Trond Hagen, comandante da Força Aérea Norueguesa.
Cerca de cem oficiais operam a base — um número pequeno diante do poderio militar russo. Ainda assim, a posição é considerada estratégica.
“Esse é uma aeronave que opera à distância. A gente não precisa chegar perto para atacar. E o inimigo não sabe quando estamos nos aproximando”, afirma Hagen.
Outra carta na manga da Otan é o E-3, um Boeing 707 dos anos 1960, equipado com tecnologia de ponta e usado para monitoramento. A tripulação reúne oficiais da Alemanha, Estados Unidos, Itália, Holanda e Grécia, que acompanham atividades militares em um raio de 300 mil quilômetros quadrados.
A missão é de paz, mas, em caso de guerra, o E-3 pode se transformar em uma base de comando suspensa no ar.
A vigilância ocorre também debaixo d’água. O mar Ártico descongelado é estratégico para submarinos militares. Durante a Guerra Fria, russos e americanos escondiam armas nucleares na região. Hoje, o risco envolve plataformas de extração de gás e petróleo e rotas de telecomunicação por fibra óptica.
A Otan tenta monitorar submarinos russos enquanto eles deixam as bases no Ártico. Depois disso, a tarefa se torna quase impossível.
Finlândia e Suécia têm muito a perder em um eventual conflito na região. Por isso, pediram recentemente para ingressar na Otan. Logo depois, militares americanos passaram a treinar tropas finlandesas perto da fronteira com a Rússia.
Trump já declarou diversas vezes que os Estados Unidos deveriam deixar a Otan e que os europeus deveriam bancar sozinhos seus gastos com defesa.
Na quarta-feira, ele voltou a falar sobre a Groenlândia durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. O tom foi de ameaça, embora tenha afirmado que não pretende usar força militar.
Mesmo assim, na Groenlândia, o primeiro-ministro pediu que a população monte kits de emergência, com água potável, alimentos não perecíveis e até armas de caça com munição.
A ideia de Trump não seria invadir, mas comprar a Groenlândia.
Os Estados Unidos fizeram algo semelhante com o Alasca, adquirido em 1868 por US$ 7 milhões — um dos melhores negócios imobiliários da história.
Hoje, no entanto, propostas desse tipo estão fora de moda. As leis internacionais garantem a soberania dos povos sobre seus territórios.
Trump chegou a sugerir a realização de um referendo para perguntar aos 56 mil habitantes da Groenlândia se eles têm um preço. Em 2019, ofereceu US$ 100 milhões, com a promessa de investimentos e distribuição de riqueza.
Para os moradores que valorizam a cultura e a história da ilha gelada, há um consenso: esse é um terreno que não está à venda.
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Economia

Americano é morto a tiros por agentes federais nos EUA e causa revolta


Americano é morto a tiros por agentes federais nos EUA e causa revolta
Reprodução/Globo
Os agentes federais envolvidos na morte de um manifestante em Minneapolis foram transferidos para outra cidade. Alex Pretti morreu durante um protesto contra as políticas de imigração do presidente Donald Trump.
Foi a segunda morte de um cidadão americano causada por policiais de imigração em pouco mais de duas semanas. Os repórteres Nilson Klava e Alex Carvalho foram até a cidade e acompanharam a comoção entre os moradores.
Foram dez tiros em apenas cinco segundos. Tudo foi registrado por câmeras de celular, de diferentes perspectivas.
Gravar as abordagens se tornou uma forma encontrada por muitos imigrantes e americanos para tentar se proteger e denunciar ações consideradas agressivas do ICE, a agência federal de imigração americana, e da Patrulha da Fronteira.
Alex Pretti aparece no meio da rua de um dos vídeos. A única coisa que ele tem nas mãos é um celular.
Ele se coloca entre os manifestantes e um agente. Há um tumulto. O agente usa spray de pimenta e joga Alex no chão. Outros agentes chegam para tentar imobilizá-lo. Alex é agredido várias vezes.
Oito segundos depois, alguém alerta que ele estaria armado. Ao ampliar a imagem, é possível ver o momento em que um dos agentes retira uma arma da cintura de Alex e se afasta da confusão.
Em seguida, outro agente saca a arma e atira contra Alex cinco vezes. Mais cinco tiros são disparados.
A secretária do Departamento de Segurança Interna do governo Trump, Kristi Noem, acusou Alex de terrorismo doméstico. Disse que os agentes tentaram desarmá-lo, que ele reagiu violentamente e que os disparos foram feitos em legítima defesa.
Todos os vídeos, no entanto, contam uma história diferente.
Alex tinha licença para portar arma, mas, no momento da abordagem, segurava apenas o celular. Os agentes descobriram a arma quando ele já estava imobilizado no chão. Um deles havia retirado a pistola de Alex quando o outro começou a atirar.
Alex Pretti tinha 37 anos, era cidadão americano e trabalhava como enfermeiro de UTI em um hospital de Minneapolis. A unidade faz parte do sistema federal de saúde para veteranos das Forças Armadas e atende ex-integrantes do Exército, Marinha, Aeronáutica e Fuzileiros Navais, além de familiares em alguns casos.
Um vídeo mostra uma homenagem feita por Alex a um veterano que morreu no hospital vítima de câncer no pulmão.
Desta vez, foi a comunidade de Minneapolis que prestou homenagem a Alex após a morte. Mesmo com a temperatura de –23 °C, moradores deixaram flores, velas acesas e mensagens. Em uma delas, lia-se: “isso não é a américa”. Em outra: “ele deu a vida para proteger a nossa liberdade”.
A todo instante, pessoas chegavam ao local, apesar do frio intenso.
Lauren mora a cerca de 30 minutos de Minneapolis, mas decidiu preparar sanduíches e chá quente para quem participou da vigília.
Por toda a cidade, cartazes pediam a saída do ICE. Em um deles, a frase dizia: “os imigrantes fazem a América grande”.
Em Minneapolis, os principais alvos dos agentes federais são imigrantes da Somália, chamados de “lixo” pelo presidente Donald Trump em dezembro.
Vincent disse esperar que a morte de Alex provoque uma mudança na política americana, começando pelas eleições de novembro, quando os americanos vão escolher deputados e senadores. O partido de Donald Trump tem maioria no Congresso.
“Eles atiraram nele enquanto ele estava no chão, totalmente desarmado. Foi um assassinato. Vim aqui prestar uma homenagem. Eu espero que a morte dele abra os olhos dos políticos.”
Cerca de 3 mil agentes do ICE e da Patrulha da Fronteira foram deslocados pelo governo Trump para Minneapolis e outras partes do estado de Minnesota, na maior operação de imigração da história do país.
O governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, ambos da oposição democrata, entraram com uma ação na Justiça pedindo a retirada dos agentes federais.
Duas semanas antes, a cidadã americana Renee Good foi morta por um agente do ICE em Minneapolis. Uma semana depois, um venezuelano foi baleado na perna. Mais recentemente, uma criança de cinco anos foi detida junto com o pai. Os dois são do Equador.
Os casos aumentaram a revolta. Na sexta-feira, vários estabelecimentos fecharam as portas e milhares de pessoas saíram às ruas.
Até agora, o presidente Donald Trump não deu nenhum sinal de que pretende suspender a operação. A investigação ainda não tem responsável definido. O governo estadual acusa os agentes federais de bloquearem o acesso à cena e às evidências do crime.
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Economia

Confusão em hotel de Palmas termina em denúncia de injúria racial, diz polícia


Sede da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins
Divulgação/ATN
Um vigilante denunciou ter sido vítima de racismo enquanto trabalhava em um hotel de luxo no centro de Palmas. O caso foi registrado na Polícia Civil. O suspeito do crime não foi localizado.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), a situação começou na noite de sexta-feira (23), quando um homem tentou se hospedar no local sem apresentar nenhum documento de identificação.
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A vítima relatou que o recepcionista seguiu as normas do estabelecimento e impediu a entrada do cliente. Ao perceber que o homem começou a se alterar com a negativa, a equipe da recepção chamou o vigilante para dar apoio.
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Veja os vídeos que estão em alta no g1
Segundo o relato, as ofensas de cunho racial começaram quando o segurança pediu para que o homem saísse do saguão, pois ele estaria incomodando outros hóspedes.
O próprio vigilante gravou parte das ofensas em vídeo. As imagens foram entregues à polícia e passarão por análise.
A investigação ficará a cargo da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento a Vulneráveis de Palmas (DEAV), responsável por apurar crimes com motivação racial na capital.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
Economia

Trump culpa ‘caos’ democrata pelas mortes de dois americanos por agentes federais


Homem é baleado e morre durante operação do ICE em Minneapolis
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu, neste domingo (25), a culpa pelas mortes de dois americanos por agentes federais em Minneapolis à liderança democrata em cidades e estados que se recusam a cumprir sua contínua repressão à imigração.
“Tragicamente, dois cidadãos americanos perderam suas vidas como resultado desse caos provocado pelos democratas”, escreveu Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social.
No post, Trump afirma que, durante o governo do ex-presidente Joe Biden, dezenas de milhares de imigrantes ilegais entraram nos Estados Unidos, incluindo condenados por assassinato, estupro, sequestro, terrorismo e trafico.
O presidente norte-americano disse ainda que as operações de deportação têm acontecido pacificamente em cidades e estados republicanos. Segundo ele, em estados, como a Flórida e a Georgia, a polícia local atua juntamente das forças do ICE, o serviço de imigração do país.
Trump declarou que os estados Democratas encorajam as manifestações e se recusam a trabalhar em parceria com o ICE.
Leia também: Enfermeiro de UTI e cidadão americano: quem era Alex Pretti, morto a tiros por agente de imigração dos EUA
Trump culpa ‘caos’ democrata pelas mortes de dois americanos por agentes federais
Reprodução
Ainda no sábado (24), Trump saiu em defesa dos agentes federais. Em publicações nas redes sociais, divulgou a imagem da arma que, segundo autoridades, foi apreendida e acusou o governador e o prefeito de Minneapolis de “incitar insurreição” com críticas às ações federais.
Governo Trump orienta agentes do ICE a entrar sem mandado em casas de imigrantes, diz agência
Segunda morte de americano
Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, morreu durante uma operação de imigração em Minneapolis, neste sábado (24).
Pretti era cidadão americano, enfermeiro de UTI e trabalhava em um hospital vinculado ao Departamento de Assuntos de Veteranos. Ele participava de protestos contra a política migratória do presidente Donald Trump. Familiares e vizinhos o descreveram como uma pessoa tranquila, solidária e engajada em causas sociais.
Após o episódio, autoridades afirmaram que Pretti estaria armado, teria sacado a arma e colocado os agentes em risco, o que teria levado um deles a atirar em legítima defesa. Em declarações públicas, integrantes do governo chegaram a associar o caso a atos de “terrorismo doméstico”.
A narrativa oficial, no entanto, passou a ser contestada após a divulgação de vídeos gravados por testemunhas. Isso porque as imagens não mostram qualquer momento em que Pretti saque a arma ou ameace os agentes.
Também não há indícios de que os agentes soubessem, naquele momento, que ele estava armado — embora Pretti tivesse autorização legal para portar uma arma de fogo.
A morte gerou protestos imediatos em Minneapolis, mesmo com temperaturas de até –6°C. Manifestantes entraram em confronto com agentes federais, que usaram spray de pimenta, gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.
A Guarda Nacional de Minnesota foi acionada para ajudar a polícia local.
A morte de Pretti é o segundo caso fatal envolvendo operações de imigração em Minneapolis, em menos de um mês. Em 7 de janeiro, Renee Good foi morta.
Familiares de Alex Pretti dizem que ele era um homem apaixonado pela natureza e preocupado com as pessoas.
Arquivo Pessoal via AP
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Economia

Direção de elenco vira trunfo brasileiro em campanha de ‘O Agente Secreto’ no Oscar

Os segredos da seleção de elenco do filme “O Agente Secreto”
O Brasil pode voltar a brilhar no Oscar. Indicado a quatro estatuetas, o filme “O Agente Secreto” concorre também em uma nova categoria da premiação.
Wagner Moura está em campanha internacional pelo longa, participando de eventos e ações de divulgação pelo mundo. Ao lado dele, o elenco reúne nomes como Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido e Gabriel Leone.
Ao todo, 65 atores e atrizes participam de “O Agente Secreto”. O responsável por reunir tantos talentos foi o diretor de elenco Gabriel Domingues, que também tem o nome ligado à indicação ao Oscar.
Domingues é uma dessas figuras menos visíveis do cinema, mas fundamentais para o resultado final de um filme.
“Estou digerindo ainda. A galera da indústria americana se organizou muito para incluir uma categoria nova no Oscar. Isso não é pouca coisa”, afirma.
A categoria Melhor Direção de Elenco é uma novidade na premiação. Fazia 24 anos que a Academia não inaugurava uma nova categoria. Além disso, “O Agente Secreto” concorre aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator, com Wagner Moura.
No cinema, o diretor de elenco exerce um papel semelhante ao do olheiro no futebol. Ele percorre o país, vai a teatros, assiste a testes e monta um banco de talentos.
“É ter o discernimento do que é bom de ver, do que seduz, do que é cinematograficamente interessante”, explica Domingues.
Também é fundamental estar atento a quem está fora do radar. Gabriel não conhecia Robério Diógenes, que acabou escalado como o delegado Euclides após se inscrever em uma convocatória de elenco pelas redes sociais e passar por um teste on-line com o roteirista e diretor Kleber Mendonça Filho.
O trabalho de garimpo seguiu. Gabriel chegou à também cearense Geane Albuquerque por meio do Teatro Experimental de Fortaleza. Ela interpreta Elisângela, uma funcionária pública.
“Eu trouxe ela para o Kleber. Ele ficou bem encantado com a aparência dela, porque tem algo de anos 1970”, conta o diretor de elenco.
“Quando você trabalha com alguém, você desenvolve uma confiança. As escolhas e sugestões de Gabriel foram maravilhosas. Fazer o roteiro é muito difícil, leva muito tempo e é solitário. Encontrar as caras que vão fazer o filme é uma das partes mais belas de todo esse processo”, afirma Mendonça Filho.
Para o papel do matador, a direção não queria um brutamontes, mas alguém com um olhar específico, pausas e um jeito muito particular. Gabriel ficou intrigado com o desafio.
“Cheguei a perguntar: o que vocês estão procurando? Eu quero entender. A produtora falou que precisava causar um frio na espinha”, lembra Domingues, que pensou em Kaiovany Venâncio.
Os dois já haviam trabalhado juntos, mas ainda havia dúvida se ele era o nome certo. O teste em vídeo dissipou qualquer questionamento.
Alguns nomes já eram certezas. Com Alice Carvalho, que vive Fátima, esposa do protagonista, o convite foi feito às pressas.
“Na época, eu estava gravando ‘Renascer’. Nem fiz teste. Eles precisavam escalar o personagem muito rápido. Ele ligou numa quarta-feira, pediu desculpa e perguntou se eu toparia. Eu disse: ‘Com certeza’. Dei meu jeito. Domingo é minha folga”, conta a atriz.
Assim, formou-se um elenco com entrosamento acima da média.
“Esse é o babado que você constrói no casting. Você muda o ator, muda o filme”, afirma Domingues.
Gabriel diz que, em eventos do Oscar, percebeu os americanos intrigados com a diversidade dos atores brasileiros.
“Eles não entendem exatamente como são as caras do Brasil. Ficam curiosos, tentando descobrir de onde cada pessoa vem”, diz.
“É uma função fundamental para a existência do meu trabalho e da minha carreira, principalmente quando são pessoas sensíveis, com esse olhar de curadoria da paisagem humana da história que a gente vai contar. São pessoas visionárias”, afirma Alice Carvalho.
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