O Comitê Ministerial de Legislação de Israel debate neste domingo (10/05) um projeto de lei apresentado pela vice-presidente do Parlamento do Knesset, Limor Son Har Melech, que pede o cancelamento dos Acordos de Oslo e a rejeição formal de qualquer futuro estabelecimento do Estado palestino.
A proposta representa uma das tentativas mais diretas de anular o acordo de 1993 entre o regime sionista e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). De acordo com o Canal 7 de Israel, Son Har Melech, a mesma que anunciou a aprovação da pena de morte para palestinos, argumentou que o quadro de Oslo “não trouxe paz, mas terrorismo”, acrescentando que “chegou a hora da correção nacional”.
No dia anterior, a parlamentar realizou uma declaração pública pela plataforma X destacando que seu partido de extrema direita Otzma Yehudit (Força Judaica, na tradução em português) prometeu impedir a consolidação de um Estado palestino.
“E agora chegou a hora de promover o assentamento nas Áreas A e B e cancelar os malditos Acordos de Oslo”, escreveu, descrevendo o projeto como “primeiro e necessário passo” para remodelar a abordagem política e territorial de Israel. As Áreas A e B citadas por Son Har Melech estão atualmente sob administração civil ou parcial de segurança palestina no âmbito de Oslo.
קראתי את החוברת שהופצה ביהודה ושומרון ומזהירה מהסכנה של הפקרת שטחי אוסלו. הנתונים המדאיגים שעולים ממנה מדירי שינה: 55 אחוזים משטחי יהודה, שומרון ובנימין נמצאים בשליטת הרשות הפלסטינית ללא התיישבות יהודית.
הבטחנו למנוע הקמת מדינה פלסטינית, וכעת הגיע הזמן לקדם התיישבות בשטחי A וB… https://t.co/InF7qj7BzM
— לימור סון הר מלך (@limor_sonhrmelh) May 9, 2026
Na semana passada, a mesma parlamentar defendeu abertamente a ocupação da Faixa de Gaza e a expulsão de seus moradores. “Lamentavelmente, o Estado de Israel ainda está preso a uma concepção equivocada. Não há alternativa à conquista, expulsão e assentamento”. Acrescentou que “qualquer outra solução é inviável e trará sobre nós o próximo massacre”.
הגעתי לסיור בעוטף עזה בהובלת ישי ספז מפורום עוטף ישראל.
לצערי מדינת ישראל עדיין שבויה בקונספציה. אין מנוס מכיבוש גירוש והתיישבות. כל פתרון אחר אינו ישים ויביא עלינו את הטבח הבא.
צפיתי על מסדרון נצרים המפריד בין העיר עזה למחנות המרכז, ואין מנוס אלא מלשלוט על כולו וליצור בו רצף… pic.twitter.com/VHJqtgWhBy
— לימור סון הר מלך (@limor_sonhrmelh) May 3, 2026
Os objetivos dessa proposta que visam o cancelamento dos Acordos de Oslo e a expansão ilegal de assentamentos israelenses se tratam de uma medida veementemente rejeitada pela comunidade palestina. Se aprovado pelo comitê ministerial, o projeto de lei deve avançar para leituras adicionais ao Knesset.
Os Acordos de Oslo, intitulados Declaração de Princípios sobre Arranjos de Autogoverno Interino, foram assinados em Washington em 13 de setembro de 1993. A cerimônia contou com a presença do presidente da OLP, Yasser Arafat, do então primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e do então presidente norte-americano Bill Clinton.
Embora os acordos tenham sido apresentados como medida transitória rumo a um acordo final negociado, Israel seguiu expandindo colônias ilegais, confiscando terras palestinas e impondo limites territoriais ao longo da década de 1990.
O post Comitê Ministerial de Israel avalia cancelar Acordos de Oslo e impedir futuro Estado palestino apareceu primeiro em Opera Mundi.
Fonte:
{item_site}